quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Compreendendo o Tantra 2



2 A Autenticidade dos Tantras






A Origem dos Tantras

A prática tântrica requer a convicção da autenticidade dos tantras, a compreensão correta dos seus métodos e teoria e a certeza da sua validade como processos conducentes à iluminação. De acordo com a tradição tibetana, a fonte dos tantras é o próprio Buda Shakyamuni. Contudo, muitos eruditos ocidentais e budistas disputaram essa questão. No entanto, segundo padrões científicos ocidentais, nenhum dos textos atribuídos ao Buda – nem sutras nem tantras – pode passar o teste de autenticidade. A questão é se isto é crucial aos praticantes do tantra ou outros critérios são para eles mais relevantes.

Os tibetanos explicam que o Buda Shakyamuni ensinou três veículos ou caminhos de prática que conduzem aos objetivos espirituais mais elevados. O veículo modesto (pequeno veículo), Hinayana, conduz à liberação, enquanto que o grande veículo, Mahayana, conduz à iluminação. Embora Hinayana seja um termo pejorativo que aparece apenas em textos Mahayana, nós iremos aqui usá-lo sem quaisquer conotações negativas como termo geral amplamente reconhecido para as dezoito escolas budistas pré-Mahayana. Tantrayana, o veículo do tantra – também chamado Vajrayana, o veículo forte-como-um-diamante (veículo do diamante) – é uma subdivisão do Mahayana. O Hinayana transmite apenas os sutras, enquanto que o Mahayana transmite tanto os sutras como os tantras.

Ninguém registou os discursos ou diálogos instrutivos do Buda quando ele os deu há dois mil e quinhentos anos, dado que o costume indiano desse tempo limitava o uso da escrita às transações comerciais e militares. No entanto, no ano seguinte ao falecimento do Buda, quinhentos dos seus seguidores reuniram-se em conselho no qual três dos seus principais discípulos recitaram partes diferentes das suas palavras. Subsequentemente, diferentes grupos de monges tomaram a responsabilidade de memorizar e de periodicamente recitar seções específicas delas. A responsabilidade passou de uma geração de discípulos para a seguinte. Essas palavras tornaram-se os sutras Hinayana. A reinvindicação à sua autenticidade fica exclusivamente na crença de que os três discípulos originais tinham uma perfeita recordação e de que todos aqueles que no conselho confirmaram as suas narrativas se lembravam das mesmas palavras. Estas duas condições são impossíveis de se estabelecer cientificamente.

Mesmo se a transmissão original estivesse livre de corrupção, muitos discípulos proeminentes em gerações subsequentes não tinham memórias perfeitas. Cem anos depois do falecimento do Buda surgiram conflitos de opiniões sobre muitos dos sutras Hinayana. Em consequência disso emergiram dezoito escolas, cada uma com a sua própria versão daquilo que o Buda disse. As escolas até discordaram sobre o número de discursos e diálogos do Buda que foram recitados no primeiro conselho. De acordo com algumas versões, vários discípulos do Buda não tiveram possibilidade de estar presentes e transmitiram por via oral exclusivamente aos seus próprios estudantes os ensinamentos de que se lembravam. Os exemplos mais proeminentes dizem respeito aos textos relativos aos tópicos especiais de conhecimento (sânsc. abhidharma). Durante muitos anos, as gerações subsequentes recitaram-nos fora das reuniões oficialmente sancionadas e apenas mais tarde alguns conselhos adicionaram-nas à coleção Hinayana.

As primeiras escrituras apareceram por escrito quatro séculos depois de Buda, em meados do primeiro século A.C. Eles eram os sutras Hinayana da escola Theravada, a linha dos idosos. Gradualmente, os sutras das outras dezassete escolas Hinayana também emergiram em forma escrita. Embora a versão Theravada fosse a primeira a aparecer em escrito e embora Theravada seja a única escola Hinayana que hoje sobrevive intacta, estes dois fatos são inconclusivos quanto à prova de que os sutras Theravada são as autênticas palavras do Buda.
Os sutras Theravada estão em língua Pali, enquanto que as outras dezassete versões estão em várias línguas indianas, tais como sânscrito e o dialeto local de Magadha, a região onde o Buda viveu. Contudo, não se pode estabelecer que Shakyamuni ensinou em apenas uma ou em todos estes idiomas indianos. Assim, nenhuma versão dos sutras Hinayana pode pretender a autênticidade com base na língua.
Além disso, o Buda aconselhou os seus discípulos a transmitirem os seus ensinamentos em quaisquer formas compreensíveis. Ele não queria que os seus seguidores congelassem as suas palavras numa língua sagrada arcaica como aquela das escrituras indianas antigas, os Vedas. Consistente com esta recomendação, diferentes partes de ensinamentos Hinayana do Buda apareceram primeiro por escrito em várias línguas indianas e em estilos de composição e de gramática dissimilares para se adequarem à época. Os sutras e os tantras Mahayana também exibem uma grande diversidade de estilo e línguagem. De um ponto de vista budista tradicional, a diversidade da línguagem prova mais a autênticidade do que a refuta.
De acordo com a tradição tibetana, antes dos ensinamentos do Buda terem sido postos em escrita, os discípulos recitavam os sutras Hinayana abertamente em grandes congregações monásticas; os sutras Mahayana em grupos pequenos e privados e os tantras em extremo segredo. Os sutras Mahayana apareceram primeiro nos inícios do século II D.C., e os tantras começaram talvez a emergir tão cedo quanto um século depois, embora seja impossível qualquer datação precisa. Como notámos acima, de acordo com várias tradições Hinayana, círculos privados até transmitiram oralmente alguns dos mais famosos textos Hinayana antes das principais assembleias monásticas as terem integrado no conjunto do que recitavam abertamente. Portanto, a ausência de um texto na agenda do primeiro conselho não refuta a sua autênticidade.
Além disso, os participantes das sessões de recitação do tantra juraram votos de silêncio para não revelar os tantras aos não iniciados. Portanto, não é de surpreender que os relatos pessoais das reuniões do tantra não tenham aparecido. Assim, é difícil provar ou refutar a transmissão pré-escrita dos tantras e a ocorrência das reuniões secretas. E mais, mesmo se aceitarmos a transmissão oral pré-escrita dos tantras, é impossível estabelecer como e quando tal transmissão começou, como é o caso com as escrituras Hinayana ausentes no primeiro conselho.
Como argumentou o mestre indiano Shantideva, em Engajando no Comportamento do Bodhisattva (sânsc. Bodhicharyavatara), qualquer linha de raciocínio apresentada para provar ou desacreditar a autênticidade dos textos Mahayana aplica-se igualmente às escrituras Hinayana. Consequentemente, a autênticidade dos tantras deve apoiar-se em outros critérios que não os fatores linguísticos e a data da escrita inicial.
Diferentes Pontos de Vista de Buda Shakyamuni como Professor
Uma fonte principal de confusão ao tentarmos verificar a origem dos tantras deve-se ao fato de budologistas ocidentais, eruditos Hinayana e autoridades Mahayana considerarem diferentemente o Buda Shakyamuni. Os budologistas aceitam Shakyamuni como uma figura histórica e um grande professor, mas não o consideram como tendo possuído poderes superhumanos, como tendo até instruído não-humanos, e como tendo continuado a ensinar após a sua morte. Embora os eruditos Hinayana concedam que o Buda Shakyamuni teve poderes extraordinários e podia ensinar todos os seres, eles colocam pouca ênfase nestas qualidades. Além disso, eles dizem que a morte de Shakyamuni marcou o fim das suas atividades de ensino.
Os eruditos dos sutras e dos tantras Mahayana explicam que Shakyamuni tinha-se transformado em Buda há muitos éons atrás e meramente exibiu os estágios para se tornar iluminado durante a sua vida como príncipe Siddhartha. Ele continuou a aparecer em várias manifestações e a ensinar a partir dessa altura, usando uma grande variedade de habilidades paranormais. Eles citam o Sutra Lótus, no qual Shakyamuni proclamou que iria manifestar-se no futuro como vários mestres espirituais, cujos ensinamentos e comentários seriam tão autênticos como foram as suas próprias palavras. Além disso, os eruditos Mahayana aceitam que os budas podem-se manifestar simultaneamente em várias formas e lugares, com cada emanação ensinando um tópico diferente. Por exemplo, quando apareceu como Shakyamuni propondo Os Sutras Prajnaparamita (perfeição da sabedoria), em Vultures Peak no norte da India, o Buda também se manifestou no sul da India como Kalachakra expondo as quatro classes dos tantras em Dhanyakataka Stupa.
A visão Mahayana de como os budas ensinam estende-se para além de pessoalmente instruir discípulos. Shakyamuni, por exemplo, inspirou também outros budas e bodhisattvas (aqueles inteiramente dedicados a atingir a iluminação e a ajudar os outros) a ensinar em seu lugar, como quando Avalokiteshvara expôs O Sutra coração na presença do Buda. Ele também permitiu outros a ensinar a sua mensagem pretendida, tal como Vimalakirti em O Sutra Instruindo sobre Vimalakirti.
E mais, em épocas mais tardias, Shakyamuni e outros budas e bodhisattvas, que tinham permissão para ensinar em seu lugar, apareceram em visões puras a discípulos altamente avançados e revelaram ensinamentos adicionais do sutra e do tantra. Por exemplo, Manjushri revelou A separação dos quatro tipos de agarramento a Sachen Kunga-nyingpo, fundador da tradição Sakya tibetana, e Vajradhara apareceu repetidamente a mestres na India e no Tibete e revelou ainda outros tantras. Além disso, os budas e os bodhisattvas transportaram discípulos a outros reinos a fim de os instruir. Por exemplo, Maitreya levou o mestre indiano Asanga à sua terra pura e lá transmitiu-lhe os C inco textos.
Porque as audiências para os ensinamentos do Buda consistiam de uma variedade de seres, e não só de seres humanos, alguns deles protegeram material para épocas futuras mais conducentes. Por exemplo, os nagas, metade-humanos e metade-serpentes, preservaram Os Sutras Prajnaparamita no seu reino subterrâneo, sob um lago, até que Nagarjuna, um mestre indiano, os foi adquirir novamente. Jnana Dakini, uma adepta feminina supranormal, guardou O Tantra de Vajrabhairava em Oddiyana até que o mestre indiano Lalitavajra para lá viajou a conselho de uma visão pura de Manjushri. Além disso, mestres indianos e tibetanos esconderam escrituras para as salvaguardar em lugares físicos ou implantando-as como potencialidades nas mentes de discípulos especiais. Gerações mais tardias de mestres descobriram-nas como textos-tesouro (terma, gter-ma). Asanga, por exemplo, enterrou A Interminável Continuidade Última (O Eterno Contínuo Último) de Maitreya e o mestre indiano Maitripa desenterrou-o muitos séculos mais tarde. Padmasambhava escondeu inumeráveis textos de tantra no Tibete, que os mestres Nyingma subsequentes descobriram nos recessos dos templos ou nas suas próprias mentes.
Quando a tradição tibetana se refere a Shakyamuni como a fonte dos tantras, está-se a referir ao Buda descrito em comum pelas tradições Mahayana de sutra e tantra. Se os potenciais praticantes de tantra abordarem a questão da autenticidade com a atitude de aceitarem meramente as descrições dos budologistas ou eruditos Hinayana, então naturalmente um tal Buda não poderia ter ensinado os tantras. Contudo, isto é irrelevante a tais pessoas. Os praticantes de tantra não têm o objetivo de se transformarem no tipo de budas que os budologistas e os eruditos Hinayana descrevem. Através da prática tântrica, o seu objetivo é transformarem-se em Budas como descritos nos ensinamentos Mahayana de sutra e tantra. Uma vez que eles aceitam Shakyamuni como tendo sido um tal Buda, aceitam certamente que ele tenha ensinado os tantras de todas as maneiras milagrosas que a tradição relata.
A Relação entre o Tantra Budista e o Tantra Hindu
A literatura tântrica começou a aparecer em ambas as tradições budista e hindu aproximadamente no século III D.C. na India. No entanto, são inacessíveis datas precisas e as duas tradições indubitavelmente pré-datam o aparecimento dos seus textos. Não obstante os contextos filosóficos e éticos difiram, as práticas devocionais, os exercícios de yoga e numerosos aspectos de costumes matriarcais, tribais e marginais mais antigos são proeminentes em cada uma delas. Por exemplo, ambos os sistemas incluem a visualização de figuras com múltiplas faces e braços, manipulação de energias sutis através dos nódulos energéticos (sânsc. chakras), veneração das mulheres, uso de ornamentos de osso e de instrumentos musicais, imagens de locais de cremação e matadouros, e transformação de produtos corporais sujos. Assim, é difícil provar que um tenha sido a fonte de uma característica específica do outro. Podemos apenas dizer que os dois foram movimentos contemporâneos. Além disso, dado que os praticantes de tantra budistas e hindus frequentavam assiduamente os mesmos lugares sagrados, é provável que cada grupo tenha influenciado o outro.
Budologistas e eruditos tradicionais Tantrayana concordam que a história do budismo relata a adaptação de importantes temas budistas a vários meios culturais, mas diferem nas suas explicitações acerca do processo. Os budologistas não aceitam que o Buda tenha ensinado os tantras. Eles assumem que mestres mais tardios desenvolveram uma forma tântrica de budismo e compuseram os seus textos por forma a irem ao encontro do espírito da época na India. Por um lado, os eruditos tradicionais Tantrayana afirmam que os poderes supramundanos do Buda permitiram-lhe prever desenvolvimentos culturais e que ele pessoalmente ensinou o tantra para servir as pessoas do futuro. Assim, quando chegasse a hora certa, aqueles que secretamente transmitiam os tantras - oralmente ou enterrados nas suas continuidades mentais – tornaram-nos disponíveis aos praticantes receptivos. Alternativamente, o Buda revelou os tantras em visões puras a mestres altamente realizados que os registaram pela primeira vez. A explicação de cada grupo de eruditos concorda com o seu modo particular de ver o Buda e com o princípio budista geral de ensinar através de meios hábeis.
A Continuidade da Luz Clara como a Fonte Mais Profunda dos Tantras
Em U ma lâmpada iluminante, o mestre indiano Chandrakirti explicou que as asserções dos textos tântricos mais elevados têm diversos níveis de significado, e que alguns deles podem ser válidos apenas para grupos específicos. Por exemplo, alguns níveis são válidos exclusivamente para praticantes do tantra mais elevado e alguns são aceitáveis também aos seguidores de ensinamentos budistas supostamente inferiores. Além disso, as asserções com significados compartilhados podem ter níveis de interpretação literais e não-literais, apenas literais ou apenas não-literais. Têm significados literais se concordarem com a experiência dos grupos que as aceitam; têm significados não-literais se elas se referirem a níveis mais profundos de significado.
Deixem-nos aplicar a análise de Chandrakirti à asserção que o Buda Shakyamuni ensinou os tantras através de meios extraordinários, tais como a revelação. Alguns budologistas podem aceitar a asserção como tendo um nível não-literal mais profundo de significado, mas rejeitariam uma interpretação literal, uma vez que a revelação está fora do reino da sua experiência pessoal. No entanto, a asserção concorda com a experiência de numerosos mestres dos sutras Mahayana, uma vez que tanto eles como muitos mestres tântricos receberam ensinamentos budistas através de revelações. Assim, os seguidores dos sutras Mahayana e dos tantras aceitam que a asserção tenha um significado literal.
Chandrakirti detalhou adicionalmente que os significados não-literais das asserções do tantra mais elevado apontam para um nível último de significado a respeito da continuidade de luz clara. Numerosos textos tântricos afirmam que o Buda ensinou os seus conteúdos sob a forma de Samantabhadra, de Vajradhara ou do AdiBuda (Buda primordial) Kalachakra – três figuras búdicas que representam a continuidade de luz clara. Assim, o significado ultimo não-literal das asserções é que a fonte mais profunda dos ensinamentos do tantra é a continuidade de luz clara iluminadora de um Buda.
De acordo com a explicação do tantra mais elevado sobre a natureza búdica, especialmente a da tradição Nyingma, a parte refinada da continuidade de luz clara de cada pessoa possui inatamente todas as qualidades iluminadoras. Consequentemente, assim como a confusão que acompanha a parte não refinada em cada indivíduo pode causar os ensinamentos enganosos de um charlatão, a parte refinada pode tornar-se fonte de ensinamentos búdicos adicionais. Assim, mesmo quando a continuidade de luz clara de alguém está ligeiramente menos refinada que totalmente refinada, e ainda flui como um tantra do caminho, se as condições adequadas internas e externas estiverem presentes, a sua parte refinada pode espontâneamente produzir novos ensinamentos tântricos. Antes de chegar a hora certa e de ocorrer um surgirmento espontâneo, os ensinamentos são transmitidos numa forma escondida, de uma vida à vida seguinte, como partes das potencialidades não realizadas da continuidade de luz clara da pessoa. Se a pessoa a quem ocorre o surgimento espontâneo aceitar a compartilhada estrutura conceptual Mahayana da revelação, é provável que ela descreva e experiencie subjetivamente o fenômeno em termos dessa estrutura. A descrição e a experiência serão válidas para essa pessoa.
Consideremos, por um lado, o caso de budologistas que aceitam as proposições da psicologia transpessoal, por exemplo, a afirmação de que as chaves para se atingir a auto-realização estão encaixadas nas potencialidades do inconsciente de cada pessoa. Os bloqueios mentais, simbolizados nos mitos por criaturas subterrâneas tipo-dragões, tais como os nagas, guardam-nas e mantêm-nas submersas. Os métodos para a auto- realização permanecem escondidos no inconsciente até um indivíduo alcançar um nível suficiente de desenvolvimento espiritual e chegar a hora certa para a sua revelação. Uma vez que tais budologistas consideram o inconsciente como um equivalente para a continuidade de luz clara, eles podem aceitar um nível partilhado de significado com os praticantes de tantra a respeito da asserção de que o Buda ensinou os tantras, embora eles rejeitem completamente o seu significado literal. Eles poderiam aceitar o Buda como fonte dos ensinamentos de tantra apenas no sentido em que o Buda representa o inconsciente. Ou seja, os ensinamentos do tantra vêm do inconsciente dos vários mestres em cujas mentes eles surgiram espontâneamente.
Os Critérios para se Estabelecer a Autenticidade dos Tantras
A sua linhagem ininterrupta de regresso ao Buda é o critério principal para se estabelecer um ensinamento como autenticamente budista – quer se descreva o Buda conforme a budologia clássica, a psicologia transpessoal, o Hinayana, o Mahayana em geral ou conforme as perspectivas Tantrayana mais elevadas. Contudo, qualquer pessoa poderia dizer que recebeu uma transmissão tântrica do Buda numa visão pura ou que encontrou um texto-tesouro enterrado no chão ou na sua mente. Consequentemente, precisamos de outros critérios para estabelecermos a autenticidade dos tantras em geral e de qualquer um dos seus textos.
Na escritura Hinayana, o Sutra Mahaparinirvana (Grande passagem para além), Shakyamuni discutiu o caso em que alguém possa alegar possuir um ensinamento autêntico fora daquilo que ele próprio tinha indicado. O Buda recomendou que os seus seguidores poderiam aceitá-lo como autêntico se, e só se, concordasse com o conteúdo do restante dos seus ensinamentos.
Considerando acerca disto em Um Comentário sobre [“Um Comp ê ndio de] Mentes de Cogni ção Válida” [de Dignaga], o mestre indiano Dharmakirti propôs dois critérios decisivos para a autenticidade de um texto budista. O Buda ensinou uma variedade enorme de tópicos, mas apenas aqueles temas que repetidamente aparecem do princípio ao fim dos seus ensinamentos indicam o que o Buda realmente pretendia. Estes temas incluem: tomar uma direção segura (refúgio); compreender as leis da causa e efeito comportamentais; desenvolver a mais elevada disciplina ética; a concentração e consciência discriminadora de como as coisas realmente existem; e gerar o amor e a compaixão por todos. Um texto é um ensinamento budista autêntico se concordar com estes temas principais. O segundo critério para a autenticidade estabelece que a correta implementação das suas instruções por praticantes qualificados tem de trazer os mesmos resultados que o Buda repetidamente indicou algures. A prática correta tem de conduzir à obtenção dos objetivos últimos da liberação ou da iluminação e dos objetivos provisionais da realização espiritual ao longo do caminho.
A presença de um entrelaçar dos temas principais do Buda, a experiência e as realizações dos mestres passados e presentes afirmam a autenticidade dos tantras através destes dois critérios. Estes critérios estabelecem também a validade dos tantras, porque a sua prática correta produz os resultados indicados. Além disso, nós próprios podemos provar a sua autenticidade e validade diretamente, através do correto seguimento das instruções do tantra.
Os Quatro Pontos Seladores (Autenticadores) para Marcar uma Perspectiva como Baseada nas Palavras Iluminadoras
Como uma explicação detalhada do primeiro critério de autenticidade de Dharmakirti, referiu-se Maitreya em A Interminável Continuidade Última (O Eterno Contínuo Último), a quatro pontos seladores (autenticadores) para marcar uma perspectiva como sendo baseada nas palavras iluminadoras de um Buda. Se um corpo de ensinamentos contiver os quatro, carrega o selo de autenticidade como um ensinamento budista porque o seu ponto de vista filosófico é concordante com a intenção das palavras do Buda: (1) Todos os fenômenos afetados (condicionados) são não-estáticos (impermanentes). (2) Todos os fenômenos infectados (contaminados) pela confusão envolvem problemas (sofrimento). (3) Todos os fenômenos são carentes de identidades não-imputadas. (4) Uma eliminação total de todos os problemas (sânsc. nirvana) é uma pacificação total.
A perspectiva tântrica budista conforma-se com os quatro pontos seladores (autenticadores): (1) Todas as coisas afetadas por causas e condições mudam de momento a momento. Mesmo com a realização da iluminação através dos métodos do tantra, a compaixão continua a conduzir um Buda a benefíciar os outros em modos sempre-mutáveis. (2) Como um método para se alcançar a iluminação, a classe mais elevada do tantra aproveita a energia das emoções perturbadoras tais como o desejo ansioso. No entanto, este método liberta completamente o praticante de emoções perturbadoras e da confusão por trás delas. Precisamos de nos libertar delas para sempre, nós próprios, porque todos os fenômenos infectados trazem problemas. (3) Depois de termos explorado o poder da energia subjacente às emoções perturbadoras, tais como o desejo ansioso, usamo-lo para obter uma continuidade de luz clara. Este é o nível da mente mais conducente à realização não-conceptual de que todos os fenômenos carecem de identidades não-imputadas. (4) Desta realização da vacuidade ou ausência total, pacificamos e, assim, libertamo-nos a nós próprios de sucessões de momentos adicionais de vários níveis de confusão, dos seus hábitos e dos problemas que trazem. A realização desta pacificação total é a liberação total de todos os problemas. Assim, a perspectiva tântrica qualifica-se como autenticamente budista.
Desenvolvendo uma Firme Convicção na Autenticidade dos Tantras
Para darmos inteiramente o nosso coração à prática do tantra como um método para atingirmos a liberação e a iluminação, precisamos de nos concentrar no tantra com a firme convicção (mopa, mos-pa) de que é um ensinamento budista autêntico. A capacidade de nos concentrarmos desse modo cresce do acreditar que um fato é verdadeiro (daypa, dad-pa). O mestre indiano Vasubandhu, em Uma casa do tesouro de tópicos especiais do conhecimento, e o seu irmão Asanga, em Uma antologia de tópicos especiais de conhecimento, clarificaram o significado destes dois fatores ou ações mentais, que ocorrem ao concentrarmo-nos num fato. Nenhuma das ações mentais refere-se à focalização com fé cega em algo que pode ser ou não ser verdadeiro e que não compreendemos.
Acreditar que um fato sobre algo é verdadeiro inclui três aspectos.
(1) Acreditar num fato com clareza é a ação mental que está livre de dúvidas acerca de um fato e que limpa a mente de emoções e atitudes perturbantes em relação ao seu objeto. Por exemplo, quando se acredita com clareza que o tantra é um ensinamento budista, estamos cientes de que o tantra usa as emoções perturbadoras, tais como o desejo ansioso, como um método para livrarmo-nos para sempre a nós próprios de emoções perturbadoras. Acreditar neste fato liberta a mente do desejo ansioso de experienciar prazer através do tantra como um fim em si mesmo. Assim, acreditar com clareza num fato sobre algo decorre do correto entendimento da informação acerca disso.
(2) Acreditar num fato com base na razão é a ação mental de se considerar um fato sobre algo como verdadeiro, com base no pensar sobre as razões que o provam. Por exemplo, podemos estar certos de que um ensinamento deriva de uma dada fonte apenas quando identificamos corretamente essa fonte. De acordo com os tantras, apenas o Buda, como descrito nos tantras, deu esses ensinamentos. Os textos não afirmam que o Buda, como entendido pelos eruditos Hinayana ou budologistas ocidentais, os ensinou. Além disso, os tantras contêm os temas principais que o Buda repetidamente ensinou algures, especialmente os quatro pontos seladores (autenticadores), que atestam que a sua perspectiva filosófica está baseada nas palavras do Buda. Compreendendo estas razões, podemos acreditar com confiança que os tantras são autenticamente budistas.
(3) Acreditar num fato com aspiração a ele é a ação mental de considerar verdadeiro tanto um fato sobre algo como a aspiração que consequentemente temos em relação ao objeto. Com base nos dois aspectos anteriores de acreditar como verdadeiro o fato de que o tantra é um ensinamento budista autêntico, pode-se também acreditar como verdadeiro o fato de que posso atingir a iluminação através dos seus métodos e que, portanto, esforçar-me-ei a praticá-los corretamente.
Quando acreditamos firmemente dessas três maneiras que o tantra é autenticamente budista, desenvolvemos a firme convicção desse fato. Estar-se firmemente convencido de um fato é a ação mental que foca sobre um fato que validamente verificámos ser isto e não aquilo. Isso torna a nossa crença tão firme que os argumentos e as opiniões alheias não nos irão dissuadir. A firme convicção cresce da familiaridade a longo prazo com as consequências que resultam do acreditar num fato, isto é, de vermos os benefícios que colhemos da prática correta do tantra. Contudo, mesmo antes de começarmos a prática do tantra, necessitamos de uma convicção firme da sua validade. Assim, a ceremónia da preparação aos empoderamentos tântricos (iniciações) inclui nas suas primeiras etapas uma explanação do tantra pelo mestre que os confere a fim de reafirmar a convicção tenaz dos potenciais discípulos.

 

Compreendendo o Tantra 3

3 O Uso do Ritual na Prática do Tantra

Embora a prática tântrica seja extremamente avançada, muitos ocidentais recebem empoderamentos tântricos sem uma preparação adequada e começam a prática tântrica sem uma compreensão profunda. No início, a maioria vê apenas as características superfíciais do tantra, tais como a sua ênfase no ritual, a sua profusão de figuras búdicas e seu uso de imagens sugestivas de sexo e violência. Muitos acham estas características intrigantes, problemáticas ou até mesmo confusas. Para beneficiarem mais inteiramente da sua prática inicial, tais ocidentais precisam de compreender e apreciar o significado e a finalidade destes aspectos pelo menos a um nível superficial. Quando superarem o seu fascínio, objeção ou preocupação inicial, podem examinar com vagar os níveis mais profundos que a superfície esconde.

Formas Ocidentais e Asiáticas de Criatividade

A prática de tantra envolve tocarmos pequenos sinos e movermos as nossas mãos com determinados gestos (sânsc. mudras) ao recitarmos textos – frequentemente em tibetano, sem tradução – e imaginarmo-nos como uma figura búdica. Algumas pessoas acham tal prática fascinante e mágica, dado que se podem perder em mundos exóticos de fantasia. Outros têm problemas com ela. Trabalhando numa forma integrada com o nosso corpo, voz e imaginação é deste modo um processo artístico criativo; contudo, parece haver uma contradição. A prática tântrica é altamente estruturada e ritualística, sem improvisação aparente. Por exemplo, imaginamos que o nosso corpo tem posturas, cores e números de membros específicos, com objetos específicos em cada mão e debaixo de cada pé. Imaginamos a nossa fala na forma de mantras – frases fixas que contêm palavras e sílabas em sânscrito. Até a nossa maneira de ajudar os outros segue um padrão determinado: nós emanamos luzes de cores específicas e figuras que têm formas particulares. Muitos ocidentais gostariam de se desenvolver espiritualmente através da descoberta e do fortalecimento da sua criatividade, mas a prática estilizada dos rituais parece antitética à imaginação. Contudo, a sua compatibilidade torna-se evidente quando se compreende a diferença entre os conceitos de creatividade ocidentais e asiáticos.
Ser-se criativo no sentido ocidental contemporâneo requer produzir-se algo novo e único – seja uma obra de arte ou uma solução a um problema. A invenção é o caminho não-questionado ao progresso. Ser-se criativo pode também constituir parte de uma busca consciente ou não pelo ideal de beleza, que os gregos antigos igualaram com a bondade e a verdade. Além disso, a maioria dos ocidentais considera a criatividade como uma expressão da sua individualidade. Assim, para muitos, o seguimento dos modelos prescritos de rituais antigos como um método para o auto-desenvolvimento espiritual não parece ser criativo; parece ser restritivo.
A maioria das culturas asiáticas tradicionais, por exemplo a do Tibete, vêem a criatividade a partir de uma perspectiva diferente. Ser-se criativo implica duas facetas principais: dar-se vida a formas clássicas e encaixá-las harmoniosamente dentro de contextos variáveis. Consideremos, por exemplo, a arte tibetana. Todas as pinturas de figuras búdicas seguem as linhas que indicam o tamanho, a forma, a posição e a cor de cada elemento de acordo com proporções e convenções fixas. O primeiro aspecto da criatividade está no sentimento que os artistas transmitem através da expressão das caras, da subtiliza das linhas, da finura do detalhe, da luminosidade e da matiz das cores e do uso de sombras. Assim, algumas pinturas de figuras búdicas são mais vívidas e vivas do que outras, apesar de todos os desenhos da mesma figura terem formas e proporções idênticas. O segundo aspecto do estilo asiático de criatividade reside na escolha dos artistas dos fundos e do modo de colocar as figuras para criar composições harmoniosas e orgânicas.
A prática de tantra com figuras búdicas é um método imaginativo de auto-desenvolvimento que é criativo e artístico numa forma asiática tradicional, mas não de uma maneira ocidental contemporânea. Assim, imaginarmo-nos como uma figura búdica ajudando os outros difere significativamente de visualizarmo-nos como um super-herói ou uma super-heroína encontrando soluções geniais elegantes para os desafios, numa nobre busca pela verdade e justiça. Em vez disso, tentamo-nos encaixar harmoniosamente nas estruturas fixas da prática ritual, tentamos criativamente dar-lhes vida e seguir as suas formas em situações variáveis para corrigirmos desequilíbrios pessoais e sociais.

Criatividade e Individualidade na Prática de Tantra

Um outro fator que possivelmente contribui para a aparente contradição entre a prática do ritual tântrico e o ser-se criativo é a diferença entre a visão tradicional asiática e a visão ocidental contemporânea sobre a individualidade e o papel que ela desempenha no auto-desenvolvimento. De acordo com o pensamento igualitário ocidental, todos somos iguais mas cada um de nós tem algo original dentro de nós – seja código genético ou alma – que, através do seu próprio poder, nos faz especiais. Depois de “nos termos encontrado a nós próprios,” o objetivo do auto-desenvolvimento é a realização das nossas potencialidades criativas originais enquanto indivíduos, de modo a podermos usá-las na sua totalidade a fim de darmos as nossas contribuições particulares à sociedade. Assim, os artistas ocidentais contemporâneas, quase sem exceção, assinam os seus trabalhos e procuram o aplauso público para as suas auto-expressões criativas. Os artistas tibetanos, pelo contrário, geralmente permanecem anónimos.
Do ponto de vista budista, todos nós temos os mesmos potenciais de natureza búdica. Somos indivíduos; contudo, nada existe dentro de nós que, através do seu próprio poder, nos faça únicos. A nossa individualidade vem da enorme multiplicidade de causas e circunstâncias externas e internas que nos afetam: no passado, presente e futuro. O benefício que poderemos dar à sociedade vem do uso criativo das nossas potencialidades dentro do contexto da natureza interdependente da vida.
Então, a realização das nossas naturezas búdicas difere grandemente de se encontrar e expressar os nossos verdadeiros eus. Dado que todos têm as mesmas qualidades da natureza búdica, não há nada de especial acerca de qualquer um. Não há nada único para se encontrar ou se expressar. Para nos desenvolvermos, tentamos simplesmente usar, através de meios hábeis, os nossos materiais universais de trabalho – os nossos corpos, habilidades comunicativas, mentes e corações – para nos adaptarmos, como qualquer um pode, às situações sempre-mutáveis que encontramos. Além disso, avançamos para a Budeidade ao imaginarmo-nos a ajudar os outros anonimamente – exercendo uma influência iluminadora e inspirando os outros que estão enfrentando dificuldades – , em vez de imaginarmo-nos proeminentes em primeiro plano, prontos a salvar.
Assim, o uso extensivo da prática ritual do tantra com figuras búdicas faz sentido apenas dentro do contexto da realização das potencialidades de natureza búdica, através da criatividade tradicional do estilo asiático. Damos vida à estrutura das potencialidades búdicas quando nos integramos harmoniosamente na sociedade e no ambiente, mantendo-nos na retaguarda.

Os Benefícios do Ritual Tântrico para os Ocidentais Muito Ocupados

Embora os ocidentais contemporâneos possam questionar a relevância da prática de rituais tântricos à maneira tibetana clássica como um método para se desenvolverem espiritualmente, podem contudo obter muitos benefícios temporários. Por exemplo, numerosos ocidentais levam uma vida constantemente cheia de pressão para serem originais, especiais e de progredirem. Necessitam de desenvolver continuamente novas idéias e melhores produtos, vendê-los e competir uns com os outros. Às vezes a tensão de terem de provar a si próprios e, ultimamente ao seu valor, conduz a sentimentos de alienação e isolamento. Quando as demandas ocidentais para a produtividade e engenho se tornam demasiado estressantes, praticar o estilo asiático da criatividade através de um ritual diário do tantra pode fornecer um contrapeso saudável. Encaixarmo-nos harmoniosamente dentro da estrutura de um ritual pode ajudar-nos a reforçar um sentimento de confortável ajustamento na família, nas amizades, na sociedade e na cultura. Além disso, mesmo que a nossa rotina diária seja repetitiva e o nosso trabalho pareça maçador, podemos aprender a dar-lhes nova vida através de uma expressão vívida dada cada dia no ritual do tantra.
E mais, muitos ocidentais correm freneticamente de uma atividade ou encontro para outros. Todos os dias usam o telefone, o email e a internet inumeráveis vezes, ouvem música, prestam atenção à televisão e operam uma variedade perplexa de máquinas complexas e de dispositivos eletrônicos. Sentem frequentemente que as suas vidas são fragmentadas, com as necessidades da família, do trabalho, sociais e lúdicas, empurrando-os em todas as direções. A prática de tantra pode ajudar tais pessoas a entrelaçar os aspectos aparentemente discrepantes das suas vidas ocupadas. A integração ocorre devido à harmoniosa combinação de numerosas emoções e atitudes construtivas e expressá-las como um todo integrado de maneiras físicas, verbais e visualizadas em simultâneo. Fazer isto na meditação diária reforça o reconhecimento e a convicção de que somos, por natureza, uma pessoa integrada. Gradualmente, um sentimento total de união se estende pelo dia inteiro.
Além disso, como a prática diária do tantra é estruturada e repetitiva, pode também fornecer a tais pessoas um fator estabilizador. Não importa quanto agitado cada dia possa parecer; a criação diária do espaço mental e emocional calmo do ritual tântrico faz com que as suas vidas fluam com fluxos estáveis de continuidade. Porque elas descobrem níveis de significação cada vez mais profundos ao irem de encontro ao desafio de interligar os elementos do ritual, evitam sentir que a repetição seja um aborrecimento. Ademais, o ritual do tantra dá-nos uma estrutura à volta da qual podemos desenvolver a disciplina que de outro modo poderia ser difícil obter. A disciplina adquirida com a repetição diária de um ritual estruturado pode também ajudar as pessoas a dar disciplina e ordem às suas vidas aparentemente caóticas.

O Ritual Tântrico como um Local para se Expressar Emoções

Muitos ocidentais contemporâneos sentem um respeito profundo por alguém ou algo, ou gratidão pelas alegrias da vida. No entanto,se elas não tiverem formas confortáveis de expressar as suas emoções que as elevam, podem achar os seus sentimentos tão amorfos que não conseguirão obter o seu alimento espiritual. O ritual de tantra pode fornecer a tais pessoas formas dentro das quais possam expressar as suas emoções positivas. Por exemplo, pressionar as palmas das nossas mãos uma contra a outra – a expressão ritualizada de respeito e gratidão compartilhada pelo tantra e religiões ocidentais – não reduz os sentimentos de elevação. Pelo contrário, fornece um canal muito viajado e comumente aceite para estes sentimentos fluirem do nosso coração e age como um recipiente adequado para eles. Além disso, porque o ritual do tantra tem formas holísticas de expressão das emoções que integram canais físicos, verbais e visualizados, a sua prática continuada pode ajudar pessoas emocionalmente constrangidas a superar a alienação dos seus sentimentos.
As vezes as emoções que elevam encontram uma expressão espontânea em formas de improviso. No entanto, seria entediante se precisássemos de encontrar uma maneira inovativa de expressar os nossos sentimentos cada vez que eles surgissem para que a sua expressão fosse sentida e sincera. O estilo de criatividade asiático de expressar emoções pode oferecer um equilíbrio. Quando os sentimentos que elevam surgirem, podemos espontânea e criativamente dar vida a formas rituais de expressá-los que encaixam harmoniosamente na nossa vida. Contudo, se nada sentirmos, então os rituais tântricos tornam-se meramente num ritual vazio. Consequentemente, os rituais do tantra incluem a meditação de pontos específicos que nos ajudam a gerar ou ter acesso a sentimentos sinceros.

Observações Finais

Participar nos rituais das religiões ocidentais tradicionais também fornece muitos dos benefícios oferecidos pela prática do ritual tântrico. No entanto, muitos ocidentais acham que, para eles, as ceremónias e os rituais das suas religiões de nascimento têm falta de vitalidade. Dado que tais pessoas têm menos associações negativas com os rituais tântricos, praticá-los pode oferecer-lhes uma via mais neutra para o desenvolvimento espiritual. Muitos descobrem que o estilo de criatividade asiático, que eles aprendem através do ritual tântrico, ajuda-os a encontrar e dar nova vida à fé tradicional dos seus antepassados.

Compreendendo o Tantra 4

4 Figuras Búdicas

Para superarem o fascínio, a repulsa ou a confusão sobre a impressionante variedade de figuras búdicas usadas no tantra e sobre as suas estranhas formas, os ocidentais precisam de compreender o seu lugar e uso no caminho budista. Precisam também de diferenciá-las dos conceitos ocidentais de auto-imagens, arquétipos e objetos de oração. Se assim não for, podem confundir a prática do tantra com formas de psicoterapia ou de religião politeísta devocional e, assim, privarem-se dos benefícios totais da prática com figuras búdicas.

O Uso de Figuras Búdicas em Práticas Partilhadas pelo Sutra e Tantra Mahayana

Para obtermos presença mental e concentração, podemos focar, por exemplo, na consciência sensorial da sensação física da respiração, ao passar para dentro e para fora do nariz. Contudo, na prática dos sutras e tantras Mahayana, as figuras búdicas visualizadas servem, mais geralmente, como objetos de foco para a obtenção da concentração unifocada. Tal prática está de acordo com Uma antologia de tópicos especiais do conhecimento, em que Asanga definiu a concentração como o fator mental que mantém a consciência mental focalizada em objetos construtivos ou em estados mentais construtivos. O mestre Mahayana indiano definiu a concentração deste modo por causa das muitas vantagens adquiridas em desenvolvê-la especificamente com consciência mental.
Por exemplo, tornarmo-nos um Buda requer a concentração absorta no amor, na compaixão e na compreensão correta de como as coisas realmente existem. Se já tivermos desenvolvido a concentração através da consciência mental, podemos aplicá-la mais facilmente a estes estados mentais e emocionais do que se tivermos desenvolvido a concentração através da consciência sensorial. Além disso, dado que as figuras búdicas – especialmente a figura de Shakyamuni – representam a iluminação, focalizar nelas ajuda os praticantes a manter o objetivo da direção segura do refúgio. Ajuda-lhes também a manter a presença mental da motivação bodhichitta para conseguir a iluminação a fim de beneficiar os outros tanto quanto possível.
As práticas dos sutras e tantras Mahayana incluem ambas a visualização de figuras búdicas à nossa frente, no topo da nossa cabeça ou no nosso coração. No entanto, a prática de tantra é única no seu treinamento da auto-visualização como uma figura búdica. O imaginarmos a nós próprios como tendo as faculdades iluminadoras físicas, comunicativas e mentais de uma figura búdica age como uma poderosa causa para actualizarmos e alcançarmos estas qualidades.

Figuras Búdicas e Auto-Imagens

A maioria das pessoas tem uma ou mais auto-imagens com que se identificam. As imagens podem ser positivas, negativas ou neutras, exatas ou exageradas. As figuras búdicas, por outro lado, são imagens que representam apenas qualidades positivas exatas. Os praticantes do tantra, através da sua compreensão da natureza búdica, usam-nas para substituirem as suas usuais auto-imagens como uma parte integral do caminho à iluminação.
As figuras búdicas representam a totalidade de todos os potenciais da natureza búdica – ao nível da base, quando são não-refinados, ao nível do caminho, quando são parcialmente refinados e ao nível resultante da iluminação quando são totalmente refinados. Além disso, a maioria das figuras também representa um aspecto específico da natureza búdica ao nível da base, do caminho e resultante. Por exemplo, Avalokiteshvara representa a compaixão baseada no afeto natural do coração e Manjushri representa a sabedoria baseada na claridade inata da mente. Identificarmo-nos com a figura ajuda-nos a realçar a qualidade particular que ela representa.
Contudo, ao identificarem-se com figuras búdicas, os praticantes do tantra não ficam inchados com a ilusão de que são realmente aquilo que desejam ser. Eles baseiam as suas identificações nos potenciais das suas naturezas búdicas, que lhes permitem realizar estas qualidades por inteiro para o bem de todos. Alternativamente, eles compreendem que as figuras búdicas e as boas qualidades que elas incorporam são níveis quânticos refinados nos quais as suas próprias aparências e qualidades vibram validamente.
Por exemplo, as pessoas podem ter a auto-imagem de serem emocionalmente rígidas ou mentalmente lentas. Elas podem ser de fato tensas ou pouco inteligentes, mas identificarem essas qualidades como a sua auto-imagem pode facilmente deprimi-las e sufocar os seus esforços de beneficiar os outros. Por outro lado, se se imaginarem como figuras búdicas, cujos corações são ternos e cujas mentes são lúcidas, elas já não se preocuparão acerca de serem inadequadas. A visualização ajuda-lhes a ganhar acesso às qualidades positivas inatas, especialmente em momentos de necessidade.
Além disso, as pessoas geralmente consideram as suas auto-imagens como as suas identidades reais e inerentes. São quem elas realmente acreditam ser, não importa quais possam ser as circunstâncias. Os praticantes de tantra, por outro lado, não pensam nas figuras búdicas como dando-lhes as suas identidades inerentes por seus próprios poderes, independentemente da prática necessária à realizacao das qualidades que elas representam.
Unindo-nos intimamente e transformando-nos imaginativamente numa figura búdica difere, de várias outras formas, de aperfeiçoar uma auto-imagem casualmente ou sistematicamente. Ao receberem empoderamentos antes de empreenderem a auto-transformação do tantra, os praticantes ativam e fortalecem formalmente os potenciais inatos que os permitem tornar-se como essas figuras. Eles obtêm experiências conscientes de que as figuras e suas qualidades existem inseparavelmente de eles próprios e que a vacuidade das suas continuidades mentais permite que ocorra a transformação. Os votos recebidos durante a ceremónia estabelecem, estruturam e fixam a íntima união. Além disso, o relacionamento estabelecido com o mestre tântrico empoderador fornece inspiração constante para a sustentação e estimulação dos potenciais durante todo o caminho.

Figuras Búdicas e Arquétipos

De acordo com a psicologia Jungiana, os arquétipos são símbolos para os padrões fundamentais de pensamento e de comportamento que estão presentes na parte coletiva do inconsciente de todos. Eles derivam da experiência coletiva da humanidade em geral ou de uma cultura ou época histórica em particular, e elas explicam [por que] as pessoas respondem às situações de maneiras similares a seus antepassados. Símbolos arquétipos, tais como o pai que ama, o velho sábio, o bravo herói ou a bruxa má, encontram expressão nos mitos e fantasias. As suas formas podem diferir de uma sociedade ou época à outra, mas os padrões de pensamento e comportamento que eles simbolizam permanecem os mesmos. A maturidade psicológica vem de se trazer o conhecimento intuitivo simbolizado pelo espectro inteiro dos arquétipos à consciência e de o incorporar harmoniosamente nas nossas vidas.
Alguns símbolos transmitem significados que são evidentes para pessoas de qualquer cultura – à primeira vista ou com uma simples explanação. Por exemplo, uma mãe alimentando uma criancinha simboliza universalmente o amor maternal. Contudo, outros símbolos não sugerem claramente aquilo que significam. Por exemplo, a figura de quatro-braços de Avalokiteshvara não sugere obviamente a compaixão, para pessoas de culturas não-budistas. Os significados que os arquétipos simbolizam são, na maior parte, suficientemente óbvios; enquanto que não são nada óbvios os significados simbolizados pelas figuras búdicas.
Além disso, os arquétipos são características universais do inconsciente coletivo de todos, enquanto que as figuras búdicas são características coletivas associadas com a continuidade de luz clara de todos. A continuidade de luz clara não é um equivalente para o inconsciente coletivo. Embora ambas as faculdades mentais tenham características sobre as quais não estamos normalmente conscientes, a continuidade de luz clara é o nível mais sutil da continuidade mental e dá a um indivíduo continuidade de uma vida à vida seguinte. O inconsciente coletivo, por outro lado, explica a continuidade de padrões míticos sobre gerações sucessivas. Manifesta-se em cada pessoa, mas apenas nos seres humanos, e não continua através de um processo de renascimento.
Além disso, as figuras búdicas não são representações concretas nem abstratas encontráveis numa continuidade de luz clara. Nem são encontráveis em qualquer outro lugar. Ao invés, as figuras búdicas representam os potenciais inatos da continuidade de luz clara de todos para fazer surgir padrões de pensamento e comportamento, quer os potenciais sejam não-realizados, realizados parcialmente ou inteiramente realizados. Elas representam os potenciais de qualidades positivas gerais, tais como a compaixão ou a sabedoria, e não o pensamento e o comportamento de específicos papéis familiares, sociais ou míticos. As figuras búdicas associadas com emoções perturbadoras, tais como a raiva, representam apenas a transformação e o uso construtivo da energia subjacente às emoções, e não as próprias emoções negativas destrutivas.
Além disso, o budismo clarifica o significado das figuras búdicas que são coletivas. O budismo aceita a existência dos universais e dos particulares. Os universais são abstrações metafísicas imputadas a grupos de itens similares para organizá-los em categorias delineadas por palavras e conceitos. Por exemplo, todas as pessoas têm características aparentemente similares nos seus rostos através das quais respiram. O nariz universal é uma imputação sobre estas características, permitindo que todas elas compartilhem do nome nariz. Contudo o nariz de todos é individual e o nariz de uma pessoa não é o de outra. Um nariz universal não existe em lado algum, em si próprio, como um modelo ideal, separado dos narizes particulares, nem as pessoas alcançam o nariz universal através da contemplação dos seus próprios narizes. O mesmo é verdade com as figuras búdicas e os potenciais da natureza búdica que elas representam. As figuras búdicas universais não existem enquanto seres individuais separados das continuidades de luz clara de indivíduos. Nem as pessoas ganham acesso às figuras búdicas universais através das figuras búdicas das suas continuidades de luz clara, como alcançar Deus através do espírito do divino dentro das suas almas.
Ademais, ao contrário dos arquétipos, as figuras búdicas não vêm ao consciente espontâneamente em sonhos, fantasias ou visões a menos que as pessoas se tenham familiarizado completamente com as suas formas durante as suas vidas ou em recentes vidas prévias. Isto mantêm-se verdade também para o bardo, os períodos entre a morte e o renascimento. O livro tibetano dos mortos descreve as figuras búdicas que aparecem durante o bardo e aconselha àqueles que se encontram no estado entre vidas que reconheçam as figuras como meras aparências produzidas pelas suas continuidades de luz clara. No entanto, as instruções dizem respeito às pessoas que praticaram o tantra durante as suas vidas. Aquelas que não têm a prática prévia do tantra normalmente experienciam as suas continuidades fazendo surgir durante o bardo outras aparências, não aquelas das figuras búdicas.

Figuras Búdicas como Emanações dos Budas

Embora as figuras búdicas representem tanto a totalidade como os aspectos específicos das naturezas búdicas da base, do caminho e resultantes, as figuras búdicas não são meramente símbolos.Em Uma explanação extensiva da ”Lâmpada iluminante” (de Chandrakirti), Sherab-senggey, fundador do Colégio Tântrico do Sul Gelug, explicou que as figuras búdicas têm as mesmas continuidades que os budas. Isto porque são emanações das continuidades de luz clara iluminadoras dos budas. Por exemplo, embora Shakyamuni tivesse alcançado a iluminação há éons, emanou-se a si próprio como o príncipe Siddhartha e deu a aparência de se ter transformado num Buda durante a sua vida. Fê-lo para ajudar os principiantes a ganhar confiança de que a prática dos ensinamentos traz resultados. Similarmente, Shakyamuni assumiu a forma de Vajradhara quando transmitiu o Tantra Guhyasamaja e, simultaneamente, emanou-se a si mesmo como Vajrapani, o compilador dos ensinamentos. Buda deu meramente a aparência de que a figura búdica Vajrapani era alguém diferente de Vajradhara a fim de inspirar os principiantes a também ouvirem atentadamente os ensinamentos e a recordá-los e praticá-los conscienciosamente. Shakyamuni, Vajradhara e Vajrapani eram todos, de fato, a mesma pessoa.
Os budas emanam as figuras búdicas [a partir] das suas continuidades de luz clara para beneficiar os seres de muitas maneiras, particularmente servindo como representações dos vários fatores da natureza búdica. Ao entenderem a inseparabilidade entre as figuras búdicas e as continuidades de luz clara dos budas e dos mestres tântricos, os praticantes compreendem que as figuras búdicas, tanto imaginadas como reais, com quem se unem na meditação são emanações das suas próprias continuidades de luz clara. Assim, como cada continuidade de luz clara pode emanar uma aparência de um nariz, sem o nariz de uma pessoa ser o da outra, similarmente, cada continuidade de luz clara pode emanar figuras búdicas, embora as figuras búdicas de continuidade de luz clara não sejam as figuras búdicas de outra. O entendimento da inseparabilidade das figuras búdicas e das suas próprias continuidades de luz clara ajuda os praticantes a actualizar os fatores da natureza búdica que as figuras representam.

Figuras Búdicas como Objetos para Oração

Os praticantes do sutra e do tantra Mahayana rezam frequentemente a figuras búdicas, tais como Tara. As duas verdades ou fatos sobre as coisas, que o mestre indiano Nagarjuna elaborou em Versos raiz sobre o caminho do meio, explicam o fenômeno. De acordo com a comum interpretação do sutra e do tantra, a verdade convencional sobre algo é como aparece aos seres comuns. A sua verdade mais profunda é como realmente existe, um fato sobre um objeto que a sua aparência esconde.
Do ponto de vista convencional das pessoas comuns, as figuras búdicas tais como Tara parecem seres independentemente existentes com os poderes de conceder desejos aos suplicantes. Contudo, no mais profundo fato, não há nenhuma Tara independentemente existente: todas as Taras são emanações das continuidades de luz clara dos budas e das pessoas que rezam a Tara. Além disso, mesmo como emanações das continuidades de luz clara, as figuras búdicas não têm capacidade de causar resultados, tais como conceder desejos, através dos seus próprios poderes, dos seus próprios lados, independentemente de qualquer outra coisa. O budismo argumenta que tais capacidades são impossíveis. Não obstante, ofertas de orações a Tara pode ajudar a causar efeitos, quer entendamos ou não Tara como uma emanação do Buda ou como uma emanação das nossas próprias continuidades de luz clara, representando os seus potenciais. Isto porque o desejo forte da oração age como uma circunstância para ativar os nossos potenciais inatos.
Por exemplo, os seguidores rezam geralmente a Tara, como um ser externo para a proteção do medo. A Tara pode inspirar as pessoas a serem corajosas, mas a causa principal para superarem os seus medos são os potenciais das suas continuidades de luz clara para compreender como as coisas realmente existem e a coragem que isto naturalmente traz. No entanto, a inspiração (chinlab, byin-rlabs; sânsc. adhishthana, benção) é requerida para os seguidores ativarem e usarem os seus potenciais, e ela pode vir de fontes externas ou internas. Um fator importante da natureza búdica, de fato, é a capacidade de uma continuidade de luz clara de ser inspirada ou elevada.

Emanações Grosseiras e Sutis das Figuras Búdicas

Para beneficiar os outros, os budas emanam aparências múltiplas deles mesmos numa variedade de formas grosseiras e sutis. Eles assumem uma variedade de corpos sutis (sânsc. sambhogakaya) para ensinar os arya bodhisattvas – os únicos capazes de ver tais formas. Osa ryas (nobres) são seres altamente realizados com percepção e compreensão diretas, simples e não conceptuais de como as coisas existem. Os budas tomam uma variedade de corpos mais grosseiros (sânsc. nirmanakaya) a fim de beneficiar os seres comuns. Qualquer buda pode emanar corpos grosseiros ou sutis em formas de qualquer figura búdica ou ser comum, ou até de outro buda. O mesmo é verdade para as figuras búdicas ao aparecerem como se fossem seres iluminados individuais. No entanto, só aqueles que estão receptivos a receber a ajuda ou ensinamentos são capazes de se encontrar com budas em quaisquer formas e colher todo o benefício.
Os budas e as suas emanações de figuras búdicas residem nos seus próprios campos búdicos. Campos búdicos são reinos especiais não associados com a confusão da existência incontrolavelmente recorrente (sânsc. samsara). Eles são as terras puras onde os budas e as figuras búdicas se manifestam em formas sutis e ensinam aos arya bodhisattvas as etapas finais à iluminação. Dado que os campos búdicos estão para além da experiência comum dos budologistas e dos aderentes do Hinayana, a sua existência literal não seria, obviamente, aceitável para eles. No entanto, os praticantes do sutra e do tantra Mahayana consideram-nos como realmente existindo, embora ninguém os possam alcançar sem realizações pré-requisitas. Nem mesmo os grande mestres podem levar as continuidades mentais de pessoas recentemente falecidas às terras puras, a menos que os defuntos tenham acumulado os potenciais para isto a partir das suas próprias práticas.
O significado não-literal último dos campos búdicos é a continuidade de luz clara de cada ser individual. Dentro da esfera da continuidade de luz clara de cada ser, para além da confusão da existência incontrolável, residem os vários aspectos da natureza búdica, representados por figuras búdicas. Os arya bodhisattvas no caminho do tantra mais elevado – os únicos praticantes com acesso meditativo não-conceptual às suas continuidades de luz clara – ganham a realização final das suas naturezas búdicas enquanto nesse estado.
Às vezes, as figuras búdicas vêm dos seus campos búdicos em formas sutis de bodhisattvas e pedem a Shakyamuni que transmita os vários sutras e tantras, tal como Vajrapani pediu Um concerto d os nomes de Manjushri (E logios aos nomes de Manjushri). Como bodhisattvas, eles também podem estar presentes e compilar os discursos de Buda, tal como Vajrapani fez para o Tantra Guhyasamaja, ou dar ensinamentos em vez de Shakyamuni, como Avalokiteshvara fez comO sutra coração. Nesses casos, como explicado acima, as figuras búdicas e Shakyamuni partilham a mesma continuidade mental.
Alguns dos corpos grosseiros que os budas ou as figuras búdicas emanam dos seus campos búdicos foram pessoas históricas reais, tais como Padmasambhava, o mestre indiano responsável pela primeira propagação do budismo ao Tibete. Do ponto de vista da verdade convencional, estes grandes seres pareciam ter continuidades mentais individuais e apareceram como tais aos seres comuns, que conseguiam compreender apenas sobre eles esta verdade. Uma verdade mais profunda sobre eles era a de que as suas continuidades mentais eram uma com os budas e as figuras búdicas de quem eles eram emanações. Para budologistas e aderentes ao Hinayana, apenas a primeira afirmação sobre estas figuras históricas é verdadeira. Para praticantes do Mahayana, ambas as afirmações são fatos.
A prática de tantra inclui a visualização de nós próprios em formas de certas figuras históricas consideradas como emanações de figuras búdicas, tais como Padmasambhava, a sua companheira feminina Yeshey Tsogyel, ou o Segundo Karmapa, Karma Pakshi. Contudo, nem todos os mestres considerados como emanações de figuras búdicas servem como formas para a auto-visualização tântrica, como por exemplo os Dalai Lamas enquanto Avalokiteshvaras. Além disso, razões políticas podem ter motivado os tibetanos a dirigirem-se honorificamente a determinados governadores como emanações de figuras búdicas, tais como os imperadores manchurianos da China como Manjushris e os czars russos como Taras. A prática tântrica não inclui tais pessoas. Contudo, considerá-las como emanações está de acordo com o conselho geral Mahayana de evitar falar mal de qualquer um, porque nunca podemos afirmar quem pode ser uma emanação de um bodhisattva.
E mais, algumas emanações grosseiras de figuras búdicas, que os tibetanos consideram como tendo sido figuras históricas, seriam difíceis de confirmação por padrões ocidentais. Um exemplo proeminente é Tara. Tara apareceu como um indivíduo que durante uma vida desenvolveu, como uma mulher, a bodhichitta e transformou-se num bodhisattva. Ela fez votos de, a partir daí, continuar sempre a renascer como mulher e de atingir a iluminação numa forma feminina para incentivar as mulheres a seguir o caminho.

Figuras Búdicas como Recipientes para a Prática

As figuras búdicas são mais do que emanações que representam vários fatores da natureza búdica; elas também servem como recipientes de múltiplos propósitos. A motivação para a prática Mahayana é a de nos transformarmos em Buda para o benefício de todos. Tornármo-nos num Buda requer a realização de faculdades físicas, comunicativas e mentais iluminadoras. Tais faculdades necessitam do recipiente de uma forma física. Visualizarmo-nos como uma figura búdica age como uma causa para obtermos um recipiente físico – o corpo iluminador de um Buda. Serve também como um recipiente adequado às várias práticas tântricas para alcançar a iluminação, tal como visualizar os chakras e os canais do corpo sutil.
Como todos os budas, as figuras búdicas aparecem numa vasta rede de formas variadas para beneficiar os outros de várias maneiras. Por exemplo, o tantra abrange seis classes de prática de acordo com o sistema Nyingma e quatro de acordo com as escolas Kagyu, Sakya e Gelug. Além disso, cada tradição tibetana transmite vários estilos de prática para cada classe de tantra. Qualquer figura búdica pode servir como recipiente para qualquer número de práticas de qualquer número de tradições tibetanas e de qualquer número de classes de tantra. Em quaisquer dessas práticas, a mesma figura búdica pode aparecer em formas diversas, em posturas diversas, com cores e números de caras e membros diferentes. Os detalhes das aparências dependem do número de aspectos da natureza búdica ou da iluminação que a figura e as suas características representam. Por exemplo, Avalokiteshvara aparece em todas as classes de tantra, em todas as tradições, sozinho ou como parte de um casal, sentado ou de pé, branco ou vermelho, com uma ou onze cabeças, e com dois, quatro ou mil braços. No entanto, não obstante a forma ou a prática, Avalokiteshvara ainda serve como um recipiente para a focalização na compaixão.

Diversidade Cultural nas Figuras Búdicas

Alguns ocidentais sentem que as figuras búdicas são estranhas demais para satisfazerem as necessidades dos praticantes de tantra ocidentais. Eles gostariam [que houvesse] modificações nas suas formas. Antes de agirem precipitadamente, eles talvez pudessem beneficiar de estudos sobre os precedentes históricos.
Quando a prática do tantra se disseminou da India à Ásia do leste e ao Tibete, algumas das figuras búdicas alteraram certamente de formas. Contudo, a maioria das mudanças foi menor. Por exemplo, as características faciais foram de encontro àquelas das raças locais e, no exemplo da China, a roupa, as posturas e os penteados também correspondiam. A alteração mais radical foi com Avalokiteshvara, que se transformou de homem em mulher na Ásia central e do leste. Uma explanação tradicional Mahayana para o fenômeno é que os budas são mestres de meios hábeis e portanto manifestam-se de formas diversas para servir sociedades variadas. Os chineses assocíam mais confortavelmente a compaixão com as mulheres do que com os homens. Os budologistas afirmam que os mestres tântricos fizeram estas modificações eles mesmos, usando meios hábeis para adaptar as formas ao gosto cultural. Os Mahayana argumentam que os mestres receberam a inspiração e a orientação, para as mudanças das próprias figuras búdicas, em visões puras e em outras revelações. Em qualquer caso, o ponto em comum é que o princípio budista de meios hábeis requer a modificação das formas para que se ajustem e assim beneficiem culturas diferentes.
As mudanças que ocorreram nas figuras búdicas encaixaram dentro do domínio do estilo asiático de criatividade. Deram nova vida às formas padrão e harmonizaram-nas com variados fundos culturais. Consistente com esta tendência, as figuras búdicas no ocidente podem razoavelmente adotar musculatura e características faciais ocidentais. No entanto, dado que os ocidentais estão habituados à diversidade cultural, é provavelmente desnecessário que as figuras búdicas mudem a sua roupa para a moda moderna. E mais, à luz da aceitação ocidental contemporânea da igualdade sexual, parece também improvável que mudanças de gênero necessitem de ocorrer.
Apesar das modificações, certas características das figuras búdicas permaneceram intocadas quando o tantra se disseminou de uma cultura asiática à outra. A mais visível é a retenção dos membros múltiplos. Avalokiteshvara ainda se manifesta com mil braços, seja num corpo masculino na India ou feminino na China. Pessoas com mil-braços são estranhas à experiência comum de qualquer cultura. Mas, como um símbolo de compaixão para ajudar outros de mil maneiras, o significado dos mil braços é compreensível a qualquer um.
Além disso, as caras e os membros múltiplos representam os múltiplos aspectos e realizações da natureza búdica ao longo do caminho. Por exemplo, é difícil manter presença mental simultânea de vinte e quarto qualidades e realizações de uma maneira abstrata. Ao representá-las graficamente com os vinte e quatro braços, é mais fácil mantê-las em mente todas de uma vez quando nos visualizarmos a nós próprios com uma variedade de braços. Eliminar as características de membros múltiplos das figuras búdicas, a fim de se fazer a sua visualização mais confortável para os ocidentais, sacrificaria esta faceta essencial da prática do tantra – o entrelaçar dos temas do sutra.

O Possível Uso de Icones Religiosos Ocidentais como Figuras Búdicas

Quando as práticas do tantra se tornam tão intensamente publicitadas e bem conhecidas que se tornam banais, elas deixam de inspirar os praticantes. Quando isso acontece, os budas revelam novas formas de prática aos mestres tântricos em visões puras. As revelações incluem com frequência formas ligeiramente diferentes de figuras búdicas. Sua Santidade o XIV Dalai Lama explicou que o fenômeno continuará indubitavelmente no futuro. A sua predição faz sentido face à comercialização do budismo tibetano e do surgimento de produtos tal como t-shirts com a imagem de Kalachakra. As figuras búdicas e as suas práticas necessitam de permanecer privadas e especiais de modo a reterem a sua qualidade sagrada. Se os praticantes virem bebês babando o alimento nos seus t-shirts com a imagem de Kalachakra, podem começar a achar menos inspirador a auto-visualização como Kalachakras. No entanto, se novas formas de figuras búdicas surgirem no ocidente, que formas serão as mais úteis e inspiradoras?
Alguns ocidentais sentem que a visualização de si próprios como ícones religiosos ocidentais familiares, tais como Jesus ou Maria, em vez de como figuras indianas estranhas, pode ser um meio hábil de adaptar o tantra ao ocidente. Afinal, dizem eles, Jesus e Maria representam o amor e a compaixão tal como Avalokiteshvara e Tara. Além disso, se os budas podem emanar em quaisquer formas, certamente podem emanar como Jesus ou Maria para beneficiar os ocidentais. De novo, necessitamos de manter em mente os precedentes históricos.
Os governantes manchurianos da China tentaram unificar os mongóis e os chinêses de Han sob seu domínio, combinando o budismo tibetano com o confucionismo. Assim, por razões puramente políticas, chamaram Confúcio uma emanação de Manjushri, aprovaram a composição de rituais tântricos para fazer oferendas ao bodhisattva Confúcio e as cerimónias patrocinadas em Beijing, baseadas nestes textos. Contudo, os rituais não envolviam a visualização se nós próprios como a figura búdica de Confúcio/Manjushri.
No entanto, na India, algumas deidades hindus, tais como Ganesh com cabeça de elefante (deus da prosperidade) e Sarasvati (deusa da expressão musical e artística), apareceram como figuras búdicas para a auto-visualização na prática tântrica. Como mencionado acima, praticantes do tantra hindu e budista misturaram-se na India antiga e compartilhavam muitas características da prática. Não só deidades hindus apareceram como emanações do Buda na prática budista, mas também, correspondentemente, o hinduismo incluiu o Buda como uma das dez manifestações (sânsc. avatar) de Vishnu, um dos seus deuses principais. A inclusividade-plena é uma característica compartilhada pela maioria das religiões indianas.
As religiões monoteístas, por outro lado, consideram-se como guardiãs da verdade exclusiva. Os seus líderes ficariam indubitavelmente ofendidos se religiões não-teístas, tais como o budismo, declarassem que as suas figuras mais sagradas fossem emanações do Buda e as incorporassem nas suas práticas, particularmente em práticas que envolvam imagens sexuais. Um dos votos do bodhisattva é evitar-se fazer algo que leve os outros a depreciarem os ensinamentos do Buda. Então, adaptar Jesus e Maria para a auto-visualização do tantra pode prejudicar relações interfé.
Além disso, características associadas à imagem de Jesus, tal como a cruz e a coroa de espinhos, têm um significado profundo dentro do contexto cristão. Mesmo se o budismo ocidental as adaptasse como símbolos budistas, a maioria dos praticantes ocidentais encontraria dificuldades em desassociá-las das conotações cristãs. Porque a maioria dos símbolos envolvidos com as figuras búdicas, tais como lótus e jóias, está praticamente livre de associações para a maioria dos ocidentais, estão abertos a exprimir os seus significados pretendidos e assim mais adequados ao uso na prática do tantra. Consequentemente, se novas formas de figuras búdicas emergissem no futuro para rejuvenescer as práticas, elas provavelmente seguiriam o precedente e seriam variações menores de formas precedentes. Contudo, contrariamente aos produtos no mercado livre, não haverá nenhuma necessidade para novos modelos melhorados todos os anos.

Compreendendo o Tantra 5

5 Imageria Tântrica

Examinando os Mal-Entendidos

Um dos aspectos mais perplexos e mais facilmente mal entendido do tantra é a sua imageria sugestiva de sexo, adoração ao diabo e violência. As figuras búdicas aparecem frequentemente como casais em união, muitas tendo caras demoníacas, aparecendo de pé rodeadas de flamas, e a espezinhar seres indefesos debaixo dos seus pés. Os primeiros eruditos ocidentais, vindos frequentemente de uma herança social victoriana ou missionária, ficaram horrorizados ao ver essas imagens.
Mesmo hoje em dia, algumas pessoas acreditam que os casais significam a exploração sexual das mulheres. Outros imaginam que os pares em união representam a transcendência de toda a dualidade até ao ponto em que não há nenhuma diferença entre o “bem” e o “mal”. Por conseguinte, pensam que o tantra é imoral e que não só aprova mas até incentiva o uso do álcool e das drogas e o comportamento hedonista, criminal e despótico. Alguns vão até ao ponto de acusar mestres tântricos bem-respeitados de conspirar para a conquista do mundo.
Os ocidentais não foram os primeiros a declarar o tantra como uma forma degenerada de budismo. Quando o tantra chegou originalmente ao Tibete, em meados do século VIII, muitos interpretaram a imageria literalmente, como concedendo licença livre ao sacrifício ritual de sexo e sangue. Subsequentemente, nos finais do século IX, um conselho religioso baniu traduções oficiais adicionais de textos tântricos e proibiu a inclusão de terminologia tântrica no seu Grande D icionário (S â nscrito-Tibetano). Um dos incentivos principais que levou os tibetanos a convidar mestres indianos para a segunda propagação do budismo no Tibete foi o de elucidar os mal entendidos sobre o sexo e a violência no tantra.
Nem todos os ocidentais que tiveram contato inicial com o tantra acharam a sua imageria perversa. Parte deles entendeu-a mal de outros modos. Alguns, por exemplo, acharam que a imageria sexual simbolizava o processo psicológico de integração dos princípios masculinos e femininos dentro de cada pessoa. Outros, como muitos tibetanos inicialmente, acharam as imagens eróticas. Até nos dias de hoje, algumas pessoas viram-se para o tantra esperando encontrar novas e exóticas técnicas sexuais ou uma justificação espiritual para a sua obsessão pelo sexo. Outros acharam as aterrorizadoras figuras fascinantes pela sua promessa de conceder poderes extraordinários. Tais pessoas seguiram os passos de Kublai Khan, o conquistador mongol do século XIII, que adotou o tantra tibetano desejando sobretudo que o fosse ajudar obter vitória sobre os seus adversários.
Assim, os mal-entendidos sobre o tantra são um problema recorrente. A razão pela insistência do tantra na manutenção dos seus ensinamentos e imagens secretos é a de evitar tais concepções erradas e não a de esconder algo perverso. Apenas aqueles com suficiente preparação no estudo e meditação estão em posição de compreender o tantra dentro do seu correto contexto.

Casais em União

Trazer à consciência e integrar os princípios masculinos e femininos são partes importantes e úteis do caminho para a maturidade psicológica, como ensinado por várias escolas terapêuticas baseadas nos trabalhos de Jung. Contudo, julgar o tantra budista como a antiga fonte desta abordagem é uma interpolação. O mal entendido advém da visão de figuras búdicas como casais em união e da tradução incorreta das palavras em tibetano para casal, yab-yum, como masculino e feminino. Na verdade, as palavras significam pai e mãe. Assim como um pai e uma mãe em união são necessários para se produzir uma criança, do mesmo modo o método e a sabedoria em união são necessários para dar à luz a iluminação.
O método, o pai, representa a bodhichitta e várias outras causas ensinadas no tantra para se obter os corpos físicos iluminadores de um Buda ou a consciência onisciente da verdade convencional de um Buda. A sabedoria, a mãe, representa a apreensão da vacuidade com vários níveis da mente, como causa para a mente iluminadora de um Buda ou para a consciência onisciente de um Buda da verdade mais profunda. Obter a união da mente e dos corpos físicos de um Buda ou a consciência onisciente de um Buda das verdades convencionais e mais profundas de todas as coisas, requer a prática da união do método e da sabedoria. Porque as culturas indianas e tibetanas tradicionais não compartilham o sentido bíblico de pudor sobre o sexo, não têm tabus sobre o uso da imageria sexual para simbolizar esta união.
Um nível de significado do pai como método é a consciência de pleno êxtase. A união do pai e da mãe significa a consciência de pleno êxtase juntamente com o entendimento da vacuidade – ou seja, o entendimento ou ou compreensão da vacuidade com uma consciência de pleno êxtase. Aqui, a consciência de pleno êxtase não se refere ao êxtase da liberação orgásmica como no sexo comum, mas a um estado mental de felicidade plena, conseguido através dos métodos avançados de yoga, que traz os ventos-energia (lung, rlung; sânsc. prana) para o canal-energia central. Uma sucessão prolongada de momentos de um tal estado mental é conducente ao alcance do nível mais sutil da continuidade mental, a nossa continuidade de luz clara – o nível mais eficiente de experienciação para o entendimento da vacuidade. O abraçar do pai e da mãe, então, simboliza também o aspecto de pleno êxtase da união do método e da sabedoria, mas não significa de modo algum o uso do sexo comum como um método tântrico.
Nos estágios finais do caminho da classe mais elevada do tantra, os métodos avançados de yoga, para atrair os ventos-energia para o canal central, envolvem um homem e uma mulher sentados numa postura de união. Contudo, longe de ser explorativo, é requerido que ambos os parceiros tenham atingido o mesmo nível avançado de desenvolvimento espiritual. Isto inclui que ambos tenham alcançado o nível de controlo das suas energias sutis e das suas mentes de modo a que, embora as pontas inferiores dos seus canais centrais estejam em contato, ambos evitem a liberação orgásmica.
Sentar-se em tal postura yóguica desempenhando complexas visualizações e meditando sobre a vacuidade é feito apenas para se elevar a prática aos níveis mais avançados. Não é feito como prática principal nem é feito regularmente, e não é certamente uma prática para os estágios iniciais do caminho.
Além disso, para se evitar toda a possibilidade de misoginia, machismo ou chauvinismo masculino, um dos votos tântricos é a constante contenção de falar mal das mulheres e de as maltratar.

Não-Dualidade

Qualquer iniciação tântrica requer a tomada de votos de contenção do comportamento destrutivo. Em todas as classes de tantra, os praticantes recebem os votos bodhisattva de se conterem em comportamentos que possam prejudicar os outros ou que possam danificar as suas capacidades de ajudar os outros. A base requerida é a prévia tomada de refúgio (a tomada de uma direção segura nas suas vidas) e a manutenção de algum nível de votos leigos ou monásticos, tais como a contenção em matar, roubar, mentir, ter comportamentos sexuais impróprios e tomar intoxicantes. A iniciação às duas classes mais elevadas de tantra requer também a tomada de votos tântricos, a contenção de comportamentos que possam danificar o seu progresso espiritual, tal como negligenciar a manutenção diária da presença mental na vacuidade.
Vacuidade não significa que, na verdade, tudo, incluindo a ética, não existe. Ela nunca nega as distinções convencionais entre o comportamento destrutivo e construtivo nem o funcionamento da causa e do efeito comportamental. A não-dualidade, representada pelos casais em união, significa que categorias tais como “destrutivo” e “construtivo” não existem independentemente umas das outras. São designadas em relação umas às outras e em relação às suas causas e efeitos. Assim, ir-se para além do dualismo não significa obter autoridade para dar rédea solta ao comportamento egoísta ou abusivo nem para revogar a responsabilidade pelas nossas ações. Significa adquirir consciência da realidade total, com a visão do interrelacionamento e da interdependência de tudo.
Além disso, quando os praticantes tântricos aceitam provar um pouco de álcool e de carne especialmente consagrada durante certos rituais, isso simboliza a purificação e o uso das energias sutis nos seus corpos para alcançar a iluminação. Tal como quando se recebe o pão e o vinho especialmente consagrados numa comunhão cristã, o ato simbólico dificilmente sanciona o abuso de álcool ou de droga.

Figuras Pacíficas e Figuras Enérgicas

As figuras búdicas podem ser pacíficas ou enérgicas, como é mostrado, ao nível mais simples, pelos seus sorrisos ou pelos seus longos dentes caninos a descoberto nas suas bocas. Mais detalhadamente, as figuras enérgicas têm caras aterrorizadoras, seguram um arsenal de armas e estão cercadas por chamas. As descrições delas especificam, em pavorosos pormenores, as várias formas como elas esmagam os seus inimigos. Parte da confusão que surge sobre o papel e a intenção destas figuras enérgicas vem das usuais traduções da palavra [usada] para elas, trowo (khro-bo, sânsc. krodha), como deidades furiosas ou iradas.
Para muitos ocidentais com uma educação bíblica, a expressão deidade irada carrega a conotação de um ser todo poderoso com uma raiva vingativa e moralista. Tal ser distribui punição divina como correção aos malfeitores que desobedeceram as suas leis ou que o ofenderam de algum modo. Para algumas pessoas, uma deidade irada pode significar até o diabo ou o demónio trabalhando no lado das trevas. O conceito budista não tem nada a ver com tais noções. Embora o termo tibetano derive de uma das palavras usuais para raiva, aqui raiva tem mais a conotação de repulsa – um estado mental agitado dirigido a um objeto com o desejo de se livrar dele. Assim, uma tradução mais adequada para “trowo” pode ser a de uma figura enérgica.
As figuras enérgicas simbolizam os meios energéticos e fortes frequentemente necessários à remoção dos bloqueios mentais e emocionais que nos impedem de sermos perspicazes ou compassivos. Os inimigos que as figuras esmagam incluem o entorpecimento, a preguiça e o egocentrismo. As armas que eles usam incluem qualidades positivas desenvolvidas ao longo do caminho espiritual, tal como a concentração, o entusiasmo e o amor. As chamas que as cercam são os tipos diferentes de consciência profunda (yeshey, ye-shes; sânsc. jnana, sabedoria) que reduzem os obscurecimentos a cinzas. Imaginarmo-nos como uma figura enérgica ajuda-nos a utilizar a energia mental e à decisão de superarmos os “inimigos internos”.
Na perspectiva budista, a energia mais sutil da continuidade de luz clara pode ser pacífica ou enérgica. Quando associada com a confusão, as energias pacíficas e enérgicas e os estados emocionais subjacentes tornam-se destrutivas. Por exemplo, a energia pacífica torna-se letárgica e a enérgica torna-se irada e violenta. Quando livres da confusão, as energias podem imediatamente combinar-se com a concentração e a consciência discernente (sherab, shes-rab; sânsc. prajna, sabedoria), de modo a estarem disponíveis para o uso positivo e construtivo. Com uma energia pacífica, podemo-nos acalmar a nós e aos outros para tratarmos das dificuldades de um modo inteligente. Com a enérgica, podemo-nos reavivar, a nós e aos outros, para termos mais força, coragem e intensidade mental para superar situações perigosas.

Observações Conclusivas

A publicidade e os entretenimentos ocidentais contemporâneos adquirem, em parte, o seu sucesso do fascínio que a maioria das pessoas tem pelo sexo e a violência. Para algumas pessoas, este fascínio também as atrai ao tantra. Contudo, a sua atração pode conduzí-las a alvos mais elevados.
Em geral, ver, ouvir ou engajar em sexo e violência excita as energias das pessoas. Os hormônios fluem e a mente torna-se intensa. A violência não precisa de ser aterrorizadora, ela pode incluir esportes extremos ou de contato. Algumas pessoas, naturalmente, experienciam aversão ou estão tão cansadas de tais coisas que nada sentem. Considerem, porém, aqueles que se tornam fascinados ou obcecados. Se a confusão acompanhar as energias despertadas pelas suas paixões, tais pessoas podem causar problemas para si ou para os outros, como por exemplo sendo rudes. Se, por outro lado, as pessoas acompanharem as energias com presença mental, concentração, e discernimento, elas podem transformar e usar as energias para alvos positivos. O tantra oferece-nos métodos hábeis para produzir esta transformação, especificamente com o interesse de ajudar os outros. Contudo, para se colher todos os benefícios da prática tântrica precisamos de uma compreensão mais profunda dos processos envolvidos.

Creditos a Alexander Berzin

Blog: berzinarchives

terça-feira, 5 de agosto de 2014

PORQUE O SEXO DURANTE MILÊNIOS FOI DEMONIZADO E DERIVANDO O MESMO COMO "PECADO"?

PORQUE O SEXO DURANTE MILÊNIOS FOI DEMONIZADO E DERIVANDO O MESMO COMO "PECADO"?




A sexualidade é a grande luta da Igreja. Sexualidade deve ser um tabu, suja e apenas usado para fazer filhos. Devemos sentir-nos culpados de amar, de se divertir, de sentir prazer, de ser feliz? PORQUÊ?? 
PORQUE fazer amor abre os chakras. E abrindo os chakras FACILITA a ascensão da Kundalini. KUNDALINI DÁ PODERES E COMPREENSÃO DE TUDO.

OM SANTIM


VAMOS DAR SAÚDE A NOSSA LIBERDADE

Sexo é poder....TIROU ESSE MESMO PODER INERENTE AO SER HUMANO, SEJA NO HOMEM OU NA MULHER, OS MESMOS SE TORNAM DOENTES E PASSIVAMENTE ESCRAVOS DOS ALGOZES DESSE MESMO PODER QUE DEVERIA ESTÁ EM LIBERDADE DE POSSE A SI MESMOS, MAS INFELIZMENTE POR NASCER CONDICIONADOS A UM MUNDO QUE EXERCE A PUNHO DE FERRO SOBRE AS PESSOAS, AS MESMAS PREFEREM PERDER ESSE PODER NATURAL QUE NADA MAIS É QUE UMA "BIOELETRICIDADE" QUE SE LIBERA NO ÍNTIMO DO EXERCÍCIO SEXUAL, MAS QUANDO ESSE MESMO PODER É TROCADO EM FUNÇÃO DA COAÇÃO PELO MEDO, VIOLENTAMENTE AS PESSOAS VIVEM SEXUALMENTE FIEL A ESSA DOENTIA PROGRAMAÇÃO A BASE DE DOGMAS MORALISTAS, COM EFEITO O ESTRAGO É INEVITÁVEL EM TODOS OS NÍVEIS DO SER. POR ESSA RAZÃO QUE VEMOS TANTAS PESSOAS INSATISFEITAS E EXTREMAMENTE VAZIAS, CARREGADAS DE TABUS E PRECONCEITOS, E QUANDO O SEXO É TRATADO NOCIVAMENTE DESSA MANEIRA, ESSA MESMA PODEROSA 'ENERGIA' SE VOLTA CONTRA A MESMA, ONDE TODO SEU INTERIOR SERÁ "DINAMITADA", CAUSANDO SÉRIOS IMPLOSÕES DE PROBLEMAS DE ORDEM PATOLÓGICAS ONDE NA SUA MAIORIA DEIXANDO GRANDES SEQUELAS OU DANOS IRREVERSÍVEIS! 

RETOMEM ESSE MESMO 'PODER' EXERCENDO EM LIBERDADE EM SI MESMOS, E NUNCA PARA SERVIR A BASE DE REGRAS IMPOSTAS E MANIATADAS, POR NADA E NINGUÉM. O SEXO EXISTE PARA BENEFICIAR DENTRO DE UMA PRÓPRIA AUTONOMIA ABSOLUTAMENTE EM SEU FAVOR NA TOTALIDADE DE TUDO QUE O SEXO PODE OFERECER TENDO COMO OBJETIVO EM ATENDER TODAS AS ÁREAS: (PSICOLÓGICA, BIOLÓGICA, FÍSICA E TRANSCENDENTAL), OU SEJA, O SEXO CONSCIENTE PRATICADO SEM TABUS OU REGRAS, INEVITAVELMENTE TODO O SEU SER É ATENDIDO E INTRINSECAMENTE SUPRIDA, GERANDO ASSIM UMA PODEROSA 'ATMOSFERA' ENERGÉTICA CURATIVA E EVOLUTIVA, ABRANGENDO NÍVEIS INIMAGINÁVEIS. 
POR ESSA RAZÃO QUE A RELIGIÃO DURANTE TODA A SUA EXISTÊNCIA DETEVE A HUMANIDADE DESSA CONSCIÊNCIA (PODER), PORQUE A MESMA TEM A PLENA CONSCIÊNCIA DE QUE O SEXO EXERCIDO ATÉ O ÁPICE DESSE PODER A HUMANIDADE ATINGIRIA ATÉ NÍVEIS DIMENSIONAIS, A PRIORE DESABROCHANDO O SEU PRÓPRIO UNIVERSO INTERIOR, DESCONHECIDO PELA IGNORÂNCIA E REPRESSÃO RELIGIOSA E CULTURAL.
MAS QUANDO ISSO TUDO QUE EU DISSE É MAL COMPREENDIDO, EU DIGO QUE É EM FUNÇÃO DE UMA MENTE OMISSA E PASSIVA AO EXTERNO IMPIEDOSO CONTROLE, ONDE TODOS SÃO ENREDADOS TENDO COMO BASE ESSA DOENTIA CULTURA OCIDENTAL QUE VIVEMOS, SEMPRE SERÁ BARRADO COM OS EQUÍVOCOS DO MORALISMO RELIGIOSO EM PARCERIA COM A SOCIEDADE PERDIDA E CAÓTICA, SENDO QUE OS MESMOS COVARDEMENTE É QUE TEM SUPRIMIDO ESSE PODER E CONCOMITANTEMENTE DISSIPANDO A CONSCIÊNCIA COMO FUMAÇA, PARA QUE TODOS SE TRANSFORMASSEM EM PREDADORES CONSUMISTAS DE SEUS BILIONÁRIOS PRODUTOS ERÓTICOS E PORNOGRÁFICOS E TUDO QUE ESTÁ RELACIONADO A ARTIGOS DE CARÁTER ADULTO. 

Obs.: VALE LEMBRAR DE UMA COISA TAMBÉM....JÁ PARARAM PARA PENSAR DO POR QUE EXISTEM TANTAS FARMÁCIAS OU DROGARIAS?? PENSE!!!

E O QUE ACONTECE QUANDO O SEXO É SUPERFICIALIZADO?? É SIMPLES....TRAZEM RESULTADOS ARTIFICIAIS E DOENTIAS, OU SEJA, AS PESSOAS QUE VIVEM A MERCÊ DESSA CULTURA OCIDENTALISTA PRAGMÁTICA, SE "MASTURBAM" COM A ESSÊNCIA DO SEXO E PRATICAM CORPO A CORPO O RESTO DAQUILO QUE AS PESSOAS APRENDERAM A CHAMAR DE "AMOR" OU "SEXO". 
SE NADA FOR FEITO PARA SAÍREM DESSA CONCEITUOSA PRISÃO, LAMENTO EM DIZER QUE ...SERÃO ETERNAMENTE ESCRAVOS DE UMA MENTALIDADE DESGOVERNADAS E PARANOICA...SENDO ASSIM NUNCA SERÃO REALIZADOS COMO HOMENS E MULHERES

QUERO TRATAR EM ESPECIAL RAPIDAMENTE COM AS MULHERES AQUI....AS MULHERES DENTRO DESSA INSANA E VIOLENTA REPRESSÃO SÃO AS QUE MAIS SOFREM COM TUDO ISSO QUE VEM ACONTECENDO DURANTE ERAS....PORQUE AS MESMAS TEM QUE VIVEREM COMO "PRINCESINHAS" DA TIRANIA RELIGIOSA E SOCIAL, ONDE AS MESMAS SOFREM AUTOFLAGELO POR TER QUE REPRIMIR CONSTANTEMENTE OS SEUS ÍNTIMOS DESEJOS SEXUAIS POR CONTA DE NÃO SEREM TAXADAS DISSO OU DAQUILO....E PORQUÊ DISSO TUDO?? PORQUE VIVEMOS EM UMA POBREZA CULTURAL MISERÁVEL E EXTREMAMENTE PRIMITIVA!
EU FIZ UMA PESQUISA SOBRE O QUE DE FATO AS MULHERES GOSTARIA DE VIVER SEXUALMENTE...AS RECLAMAÇÕES SEMPRE FORAM AS MESMAS PRATICAMENTE....AS MULHERES SE SENTIAM FRUSTADAS E TERRIVELMENTE TRANSTORNADAS E PERDIDAS, TENTANDO DRIBLAR DE TODAS AS FORMAS PARA TENTAR AMENIZAR A INSATISFAÇÃO E A DOR DE NÃO SE REALIZAREM COMPLETAMENTE COMO MULHER.
NENHUMA MULHER QUER VIVER COMO "PRINCESINHA", MAS SIM, COMO SER HUMANO E SE REALIZAR PROFUNDAMENTE COMO MULHER TAMBÉM, QUE COMO SER HUMANO TEM AS SUAS INTRÍNSECAS IMPULSOS SEXUAIS A SEREM ATENDIDAS NA SUA TOTALIDADE, MAS INFELIZMENTE A MULHER É VISTA E DADA COMO NÃO PODER GOSTAR ARDENTEMENTE DE SEXO A SUA SENSUALIDADE É DETURPADA COMO SENDO UMA MERETRIZ, VADIA, DEPRAVADA E ETC... E ISSO NÃO É VERDADE, ISSO É INERENTE A SUA PRÓPRIA NATUREZA. AS MULHERES QUE OBSERVEI NESSA PESQUISA, TODAS FORAM UNÂNIMES EM QUERER VIVER UMA VIDA SEXUAL DE FORMA LIVRES E CONSCIENTES, EM PODER SE SATISFAZER E REALIZAR-SE DE TODAS AS SUAS FANTASIAS SEXUAIS QUE FAZEM PARTE DO ÂMAGO SEXUAL NATURAL DA MULHER. 
SE NOTA QUE A MULHER QUE VIVE UMA VIDA DE "PRINCESINHA" (APARÊNCIA) É VIVER UMA VIDA DE AGONIA, DOR E ESCRAVA DE UMA PERPÉTUA INSATISFAÇÃO E POR FIM...LEVANDO UMA VIDA SEXUAL DE FORMA BEM PATÉTICA, POR VIVER MAIS EM FUNÇÃO DOS PARADIGMAS EQUIVOCADAS COMO MODELO OU FORMA DE VIDA, DO QUE VIVER A SUA INERENTE AUTONOMIA EM REALIZAR TODOS OS SEUS DESEJOS SEM INTERFERÊNCIAS DE NADA E NINGUÉM! 

BOM....A ESCOLHA É SUA....QUER CONTINUAR A VIVER DOENTE E IMPIEDOSAMENTE REPRIMIDA COMO "PRINCESINHA" OU A RESGATAR SE COMO MULHER DE DIREITO DADO PERFEITAMENTE PELA NATUREZA?
VOCÊ TEM A OBRIGATORIEDADE DE PRESTAÇÃO DE CONTAS SEXUALMENTE A "TERCEIROS" OU VOCÊ TEM UM COMPROMISSO DE SATISFAÇÃO PLENA SEXUAL CONSIGO MESMA? DOIS CAMINHOS E UMA ESCOLHA!!!!

NÃO FAÇAM SEXO DOGMATICAMENTE, PORQUE ISSO É INTEIRAMENTE DESTRUTIVO PARA AMBOS SEXOS, PORQUE ISSO CONTAMINA A RELAÇÃO, ONDE O SEXO FICA COMO "RESTO DO FUNDO DO TAXO", COM EFEITO LEVANDO A ROTINA E A PROIBITIVIDADE DAS PARTES DO CORPO DE AMBOS...ISSO É EXTREMAMENTE NOCIVO A SAÚDE SEXUAL. RENUNCIAM O QUANTO ANTES E RADICALMENTE DESSA POBRE MENTALIDADE SEXUAL!

SEXO NÃO VEM COM MANUAL DE INSTRUÇÕES, PORQUE O MESMO É PERFEITO EM CONDUZIR AMBOS NO QUE DESEJAM PARA SE REALIZAREM COMPLETAMENTE....NESSA HORA A ENTREGA DEVERÁ SER TOTAL, OU SEJA, DESFRUTE AO MÁXIMO DE SUA PARCEIRA OU PARCEIRO, SEM INTERVENÇÃO DE PENSAMENTOS TOLOS E PRECONCEITUOSOS E ATITUDES EM LIMITAR O ACESSO TOTAL AO ATO SEXUAL. 

Quando o sexo é tratado como "pecado" se perde o realismo belo e maravilho do que é sexo no seu real propósito. A ideia do pecado é puramente um mito fruto da imaginação religiosa intimidatória para que as pessoas se recusem a exercer por medo do lendário "Diabo" esse poder como se fosse demoníaco e sem valor algum a não ser para procriarem como animais,...sem esse poder a ignomínia e escravidão é inevitável.

DA MINHA PARTE FINALIZO DIZENDO...."NÃO SE NEGUE A AMAR E SER AMADA....A VIDA É MUITO CURTA...AME INTENSAMENTE ENQUANTO PODE!"
  • "SEXO SEM CONSCIÊNCIA É SEXO INEVITAVELMENTE DESTRUTIVO!"
  • "A MENTE HARMONIZADA SOB REGÊNCIA DA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA É SEXO FELIZ E COM INTEIREZA DE SATISFAÇÃO TOTAL!"
  • AME O SEXO E NUNCA NA IDEIA DE USÁ-LO PARA FINS CONTRÁRIOS....A IDEIA É EM TRATAR AO REAL PROPÓSITO.
  • MULHERES SEJAM FELIZES E LIVRES COMO PÁSSAROS PARA VIVEREM E  AMAREM SEM OS PERCALÇOS DO IMPERIALISMO MACHISTA, CUJO OS HOMENS VIVEM NUM PRECONCEITO ANCESTRAL, EM ACHAR QUE AS MESMAS SÃO INFERIORES OU SEM VALOR, ONDE O DESEJO DA MULHER SÃO IGNORADAS OU VIOLADAS, PORQUE SEMPRE FORAM VISTA COMO OBJETOS E NÃO COMO ALMA (MULHER)
  • O MEDO INIBI OS ANSEIOS E DESEJOS A SEREM CONTEMPLADOS E VIVENCIADOS NA ESSÊNCIA.
  • NINGUÉM ESTÁ AQUI PARA VIVER COMO PARASITAS, MAS SIM, PARA EVOLUIRMOS, OU SEJA, LEVANTAR VÔO, SEM ISSO A MEDIOCRIDADE DE VIDA SERÁ A SUA SENTENÇA.     

Obrigado a todos por ter tido a paciência de ler tudo que aqui foi escrito em prol de uma melhor qualidade de vida dentro do assunto em questão!
Lembrando que o intuito aqui não é de obrigação a nada, mas sim, na minha sinceridade de coração...foi e é apenas em trazer a consciência e nunca na impositiva. 
(Liberte Sua Mente)

SEXO 

Perguntaram a Osho: Por que o sexo é um assunto que deixa as pessoas tão pouco à vontade? Por que ele é um tabu?
Simplesmente porque as pessoas, há séculos, têm uma vida sexual reprimida. Elas aprenderam, com os profetas, messias e salvadores de todas as religiões, que sexo é pecado.
No meu entender, o sexo é a nossa única energia, é energia vital. O que você faz com ela só depende de você. Ela pode vir a ser pecado como também pode ser o ponto culminante de sua consciência. Tudo depende de como você usa essa energia.
Existiu um tempo em que não fazíamos nem idéia de como usar a eletricidade. Ela sempre existiu - na forma de raios e relâmpagos -, chegando inclusive a matar pessoas, mas hoje ela está à nossa disposição. Faz tudo o que queremos que ela faça.
O sexo é bioeletricidade. A questão é como usá-la. E o primeiro princípio é não condenar essa energia. No momento em que condenamos alguma coisa, já não podemos mais usá-la.
O sexo precisa ser aceito como uma coisa normal e natural da vida - assim como o sono, a fome e tudo mais.

Osho, em "Sexo: Em Busca da Plenitude"