sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Ritual Tântrico de Isis




               


                                O TANTRA DE ISIS



                                    Essência do verdadeiro Amor





        

 

  

Nota: ao se realizar o Ritual Tântrico de Isis, nem sempre os dois consortes se encontram no mesmo estágio evolutivo, e isso pode ocasionar contrariedade por parte de um dos parceiros. Diante disso, da incapacidade por parte de um dos parceiros de compreender o valor desse ato de Amor e alquimia espiritual, recomenda-se que apenas um dos consortes execute os passos do Tantra de Isis, permitindo ao outro que participe do ato livremente, de acordo com suas crenças e capacidades sensíveis. A escolha individual que parte de apenas um dos consortes não invalida o Ritual, desde que o ato amoroso seja realizado também com o espírito do parceiro, que será invocado silenciosamente para estar consciente nas dimensões superiores de existência.
O Tantra de Isis é um ritual de partilha amorosa, e recomenda-se que os parceiros obtenham um grau elevado de interação mútua para que se alcance os melhores resultados. A base de todo relacionamento amoroso é a partilha emocional, a entrega e a confiança entre os parceiros, e isso deve ser almejado durante o ritual, para que seja conquistado. Com o tempo de prática, a Maestria amorosa será revelada, tendo o princípio feminino representado pela figura da Deusa Terrestre como a grande guia para entrada nesse Universo.
Esse Ritual foi concebido como uma série de canalizações da Deusa Isis, e das minhas próprias experiências de vidas passadas, no Egito antigo, onde vivi como sacerdote ou sacerdotisa, por 44 encarnações.


        


        


Nas nascentes do Nilo, no alto Egito, um Ritual secreto acontecia a cada primavera. Nesse Ritual, as águas do Nilo eram purificadas pelos sacerdotes e sacerdotisas do culto de Isis e Osiris, a fim de serem preparadas para a união sagrada dos consortes divinos, que representavam respectivamente a essência do princípio feminino e do princípio masculino, forças geradoras da vida no Universo.
       

Um festival acontecia nas piscinas de um templo próximo das nascentes, dedicado a Isis. A Deusa da fertilidade e da sexualidade (Isis) era celebrada com um Ritual tântrico egípcio, em que casais de amantes praticavam a união carnal em honra ao casal de Deuses, e uniam seus Eus dimensionais (Eu superior, Eu básico e Eu inferior) desde a dimensão física até a perfeição do Universo. Para os egípcios, assim como para as correntes esotéricas modernas, a alma era dividida em partes, com níveis de consciência diferenciados, e tinha origem divina, no Mundo Celestial. O corpo era enxergado como uma das partes da alma, pois continha o segredo da consciência de estar na Terra com gratidão e dignidade. Para os egípcios, o corpo não era uma cela da qual a alma deveria se libertar para atingir a união com Deus, mas ao contrário, era parte de uma força essencial que provinha das dimensões superiores, e se comunicava com essa força, podendo integrá-la no mundo físico. O tantra de Isis era uma forma mágica de resgatar essa integração, através da união amorosa com o sexo oposto.

        




      
        

No Ritual tântrico de Isis, a alma era concebida como uma essência naturalmente pura e sagrada, e a união de almas como uma oportunidade de enxergar a beleza que existe em todas as coisas, através da beleza que existe no outro.
As águas do Nilo eram semeadas com o humor sexual dos amantes, e isso era considerado o ponto alto do Ritual, pois todo Egito seria abençoado com a prosperidade de Isis e Osiris, por intermédio dos casais que se amavam e se uniam em corpo e espírito à perfeição do Universo.
Desse ritual coletivo e secreto, derivou a comunhão íntima entre casais que era ensinada pelas sacerdotisas deste templo. Os alunos eram aceitos apenas sob entrevista ou indicação de outros sacerdotes, geralmente provenientes das castas aristocráticas, pois o tantra era um Ritual de magia sexual, mantido em segredo e sob controle da casta sacerdotal.
O Tantra de Isis difere das demais correntes esotéricas Tântricas em muitos aspectos: o primeiro deles é que não há exercícios para atingir os níveis de maestria, ou seja, não há uma técnica a ser empregada para subida da energia Kundalini. A segunda diferença importante é que para os Mestres do Tantra Egípcio, (e consequentemente para todo pensamento esotérico) a Kundalini é um nível de consciência, a ser acessado pelas almas que se reconhecem sagradas durante o ritual. A terceira grande diferença é que para o Tantra Egípcio, o orgasmo é sagrado, e é um dos estágios de comunhão entre os consortes, sendo também parte da comunhão entre o sagrado feminino e o sagrado masculino, que ocorre no coração de cada um dos amantes.
        


       PASSOS DO RITUAL TÂNTRICO DE ISIS

 



      
        

Primeiro: os amantes (diante do(a) consorte), estabelecem um reconhecimento da sua própria essência espiritual divina, imaginando-se na origem, no mundo Celestial e descendo até seu corpo em uma ponte de Luz Celestial, que provém de sua conexão com a identidade divina. Essa Luz/som deve ser ancorada no corpo físico para que toda prática tântrica seja permeada pela inocência e pureza divina, e não pela dominação sexual animal e competição, que são permeadas pela ignorância, culpa e separação da fonte.
        







      
   
A ponte de Luz significa uma ligação multidimensional, que atravessa todos os níveis superiores até a manifestação física. O praticante pode se imaginar como uma holografia reproduzida em muitas dimensões, como uma ponte feita de suas próprias imagens, que atravessa as nuvens e chega até o solo, no ponto onde ele se encontra. É o que você é no tempo presente, ligado a toda sabedoria e amor de todas as suas outras vidas, e seu futuro na Terra. É isso que será compartilhado entre os amantes. O amor infinito é o maior presente que alguém pode oferecer a outra pessoa.

Segundo: reconhecer a beleza e a sacralidade do outro, usando as mesmas imagens de antes, mas agora tocando a origem celestial do parceiro e trazendo até ele/ela. Imaginar a Luz descendo da origem divina até o corpo do(a) parceiro(a).
      


Terceiro: comprometer-se, silenciosamente, e de mãos dadas, a honrar o outro com todo seu amor. comprometer-se a receber o amor do outro, sem medo, e a dissolver todas as barreiras de possessão e dominação sexual, que são baseadas na culpa e na desconfiança.
Agradecer ao outro, silenciosamente e de mãos dadas, por ser a pessoa escolhida para compartilhar o amor sagrado no corpo físico, pois isso predispõe você a receber o imenso presente que é ser amado por outra pessoa.
Esse passo é um ponto crítico do Ritual tântrico, pois o orgulho é uma sombra de personalidade que impede qualquer um (mesmo os que se acham grandes amantes) de alcançar o poder do verdadeiro e essencial amor. O gesto mais elevado é ter a humildade de receber e estar aberto a experiência de perder o medo, e honrar o outro com ternura e cuidado.

O quarto passo do Ritual é compartilhar a manifestação física da doação amorosa.
O casal pode suspender essa etapa e treinar a união espiritual até que haja confiança mútua para atravessar o limiar da interação física.
Caso não haja condições emocionais para a interação física, o casal deve criar uma interação espiritual, se imaginando fazendo amor nos níveis espirituais em todas as dimensões superiores, descendo até o corpo físico. Até que a intimidade seja conquistada, é necessário antes de mais nada uma interação em espírito, pois sem isso a sensação física do ato será empobrecida e decepcionante.
        



 

Quando o casal estiver totalmente a vontade, devem explorar o corpo um do outro, tocando primeiro as mãos e os braços, lentamente, sentindo o calor da pele do outro. O tempo é uma das chaves para alcançar a união amorosa em todos os níveis. Esse Ritual pode durar horas, pois quando se está ligado com o(a) parceiro(a) em níveis multidimensionais, a experiência traz a suspensão da percepção do tempo. Há uma calma e prazer imenso sendo compartilhados, e os campos energéticos são nutridos com amor. Essa energia é estimulante e nutridora, e pode sustentar o desejo de trocar amor por muito tempo.
O rosto do parceiro é tocado suavemente, mas com as mãos abertas. Você deve sentir o rosto com as mãos, com delicadeza e oferecendo seu amor espiritual, em um gesto de honrar o outro com o reconhecimento de sua beleza, e não importa o quanto essa pessoa seja fisicamente graciosa, pois cada ser viveu na Terra muitas vidas e muitas formas, sendo a sua singularidade no agora sua forma ideal.
Toque o pescoço do parceiro, massageando-o com delicadeza e ternura. O pescoço é uma zona erógena importante, pois o sistema nervoso tende a congestionar energia nessa região, endurecendo o corpo com tensões musculares. Tocar e massagear o parceiro nesse ponto causa um grande relaxamento. Mentalize amor de seu espírito fluindo em direção ao corpo do parceiro enquanto você toca seu corpo.
Suas mãos devem ser leves como algodão. Toque o ombro do parceiro e o peito. Pare por um momento nesse ponto. Os seios simbolizam a nutrição, o amor que flui do coração físico e é transformado em alimento para o corpo. Sinta o coração através dos seios, e depois desça as mãos pelas laterais do corpo, sempre conduzindo amor espiritual da fonte para o corpo do parceiro, e se imaginando fazendo amor com ele em todas as dimensões. Você pode abraçar o parceiro nesse momento, e apertar seu corpo numa fusão de energia amorosa.
        






Passe alguns momentos abraçado(a) ao parceiro, sinta o calor de seu corpo, e deixe que sua região sexual toque a região sexual do parceiro, enquanto imagina o amor se consumando em todas as dimensões acima do casal. Esse é um momento adequado para beijar o(a) parceiro(a). O beijo é uma forma de compartilhar o sabor da pele do parceiro. Acaricie com sua língua o corpo do parceiro, beije o pescoço e a boca, enquanto se imagina fazendo amor com o parceiro, em todas as dimensões acima de seus corpos. Imaginem-se sendo a fonte de amor puro, que flui do mundo Celestial. Dissolva a culpa que bloqueia a sacralidade desse ato, e perceba que oportunidade única é estar na Terra e sentir prazer. Sinta a inocência e o amor passando entre seu corpo e o corpo do parceiro. Toque a parte inferior do corpo do parceiro, dissolvendo a culpa primordial por ter se separado da fonte. Use o prazer como uma ponte de ligação com o espírito.
Massageie o sexo do parceiro, imaginando amor puro e terno como um presente oferecido ao outro. O amor puro da fonte celestial dissolve a culpa que empobrece o ato de tocar o outro. Enquanto toca o sexo do parceiro com carinho, mentalize a união carnal acontecendo desde a fonte até o corpo físico, e alimente seu desejo sexual com esse amor sagrado. Esse é um momento especial no Ritual, pois o órgão sexual é mal compreendido em sua função espiritual. Ele representa o fluxo do amor divino sendo compartilhado. É um instrumento da criação divina.
        
        


        

Entregue-se ao êxtase de sentir a energia amorosa da fonte celestial passando por seu corpo. Isso tem o poder de nutrir as células do seu corpo com o amor do outro, em sua sacralidade. Apenas a culpa pode impedir isso, liberte-se dela nesse momento, pois é apenas um condicionamento de separação.
Esse é um momento adequado para deixar que a união carnal seja consumada, pois a conexão com a fonte Celestial está suficientemente estabelecida. A partir desse momento, existe inocência e amor suficientes para dissolver a culpa e separação da fonte, e o coração pode ser iluminado com o amor divino.
   

        


        

Tente permanecer com o parceiro, sem se preocupar em terminar algo. Abandone a necessidade de aliviar a pressão por estar separado da fonte, pois é isso a urgência pelo orgasmo. Sinta o prazer que é estar amando outra pessoa. Permita que o amor seja espalhado por todo seu corpo. Sentir o amor da origem Celestial no corpo imprime calma ao ato sexual, pois esse amor é pleno de inocência e êxtase.
Se o parceiro masculino sentir muita pressão do corpo pelo orgasmo, ele deve evitar a movimentação enquanto estiver dentro da parceira, e respirar lenta e profundamente. Existe um condicionamento de muitas eras por dominação sexual quando se está praticando o ato. Quando a mente tentar tomar o controle e restabelecer o padrão de dominação animal, você deve se imaginar novamente fazendo amor desde a fonte Celestial, e em todas as dimensões até o corpo físico, sentindo a imensa paz que é ser amado por outra pessoa. Apoie-se nesse amor para restabelecer o contato com a fonte Celestial de inocência e amor, enquanto sente o êxtase amoroso sexual com o parceiro. Perceba o quanto esse ato é um presente, e estar na Terra é maravilhoso para você. Beije e toque o corpo do parceiro, enquanto faz amor com ele(a). Ofereça a ternura de seu espírito, sem culpa por ser quem você é. Entregue-se a este êxtase até que de livre consentimento vocês se permitam chegar ao orgasmo, Pois o tantra de Isis não despreza este momento de união espiritual sagrada.

O tantra de Isis é um Ritual que não deve ser terminado. Ele é algo que deve ser dado como um presente ao parceiro, e a sensação de união pode perdurar, pois é uma união na pureza e amor, e não no controle do livre arbítrio do outro. Quando você não estabelece a separação da fonte amorosa que é o outro, permanece ligado a fonte inesgotável do amor do espírito, e essa ligação dura muitos dias após a realização do Ritual.


      

      PASSOS DO RITUAL TÂNTRICO DE ISIS




Uma vez que as bases da parte 1 do ritual estiverem completamente integradas como uma técnica dominada pelos praticantes, poderá ser alcançado o limiar metafísico do Tantra de Isis.
        


Nesse estágio, há um poder imenso a ser despertado pelo contato com a fonte de energia tântrica dourada proveniente do coração da Deusa Terrestre. O coração da Deusa é um portal de Luz de evolução e criação material, e pode ser acessado se houver um parceiro que represente o complemento sexual oposto dentro do coração da Deusa.
Uma grande Lótus dourada deve ser visualizada durante o Ritual, e o casal de consortes deve estar dentro dessa Lótus, fazendo Amor. Enquanto fazem Amor dentro da Lótus, devem visualizar a energia dourada fluindo do cálice formado pelo pedúnculo e receptáculo floral, em forma de cone, abaixo dos pés dos amantes. Metafisicamente, isso significa que o chakra Estrela da Terra (localizado abaixo dos pés há 15 centímetros) estará canalizando para cima do corpo energético do praticante a energia dourada da Deusa, e redistribuindo-a para si e para o parceiro, através de todos os chakras e do órgão genital, que deve empurrar a energia dourada para o órgão genital (e chakra sexual) do parceiro durante o Ritual.
        



        
        

Todos os chakras e corpos energéticos devem ser conectados e energizados com a energia da kundalini dourada, durante o Ritual, bem como os corpos físicos, dentro da Lótus. O casal deve estar completamente unido em todos os pontos energéticos, amalgamado.
    




       
        

Imagine seu corpo e o corpo do parceiro como corpos dourados, fazendo amor, enquanto energiza o parceiro com dourado através do seu órgão sexual. Para aumentar ainda mais o poder de absorção da energia dourada, você pode imaginar os chakras Estrela da Alma (15 cm acima da cabeça) e Estrela da Terra (15 cm abaixo dos pés) como duas espirais que giram no sentido contrário, enquanto faz Amor, distribuindo a energia da Kundalini dourada entre você e seu parceiro.
Para que os chakras possam absorver a energia dourada da Kundalini, é necessário que estejam completamente limpos. A melhor maneira de limpar os chakras, enquanto se pratica o ritual é visualizar serpentes douradas dentro dos chakras. As serpentes douradas devem se mover em espiral dentro dos chakras. Isso vai ativar ainda mais o poder da Kundalini que pode fazer parte integral da energia dos chakras, que se tornarão maiores e iluminados, aumentando em consciência e poder.
   
        




        
Imagine também serpentes douradas se enrolando em sentidos opostos, em torno do casal, dentro da Lótus. Essa visualização pode parecer complexa no começo, mas uma vez que os passos sejam decorados, será fácil internalizar a técnica ao modo espontâneo de fazer Amor, para se atingir poder, prazer e orgasmo.
        




       BASES METAFÍSICAS DO RITUAL TÂNTRICO DE ISI

        

O primeiro passo para realização do Ritual de amor sagrado é a conexão entre todos os Eus (Eu superior, Eu básico e Eu inferior), desde a origem celestial até o corpo carnal. Em segundo lugar, os praticantes devem se dispor ao parceiro, para que haja conexão de troca energética mútua, em equilíbrio, sem perdas para nenhum dos lados, e o casal possa estabelecer uma conexão entre as polaridades masculina e feminina da malha cósmica (éter). O objetivo da polarização masculino e feminino é a absorção das duas forças primordiais vitais: a solar proveniente do plano celestial e a energia da kundalini da Terra, de caráter lunar.
No templo de Isis, era regra comum os parceiros determinarem essa aliança através de palavras mágicas, iniciando com os dizeres:
Eu sou Isis, meu corpo é seu nesse momento, faça dele um jardim onde você poderá sentir o prazer de estar na Terra, e caminhando através do meu corpo vislumbrar tudo o que é sagrado ¨. Estas eram as palavras que a consorte dizia ao parceiro.
Eu sou Osiris, meu corpo é seu nesse momento, faça dele um caminho, um horizonte sem fim, onde você conquistará a sensação de ser livre, e pertencer a todos as lugares do Universo ¨. Estas eram as palavras que o consorte dizia a parceira.
Ser Isis significa personificar o princípio feminino, ser o corpo da Deusa. Isso permite que o parceiro abra seu coração para a atitude de receber amor. Isis é a base de sustentação para sexualidade sagrada. Na força e na presença de Isis, a culpa, o medo, e o ódio desaparecem, e o Deus interior pode encarnar na realização do Amor.
Ser Osiris significa personificar o princípio masculino. Isso libera e canaliza o impulso da energia sexual ativa, dinâmica, em direção ao Amor e ao orgasmo (êxtase). Uma vez que essa energia seja definida em polos opostos e complementares masculino e feminino no Ritual de Amor sagrado, há uma abertura dos canais da malha energética, conectando os consortes com as forças luminosas do cosmos e da Terra.
       

                              O PRANA DOURADO



O prana dourado, ou energia da Kundalini da Deusa, foi mitologicamente perseguido no passado, por Magos e Reis, que buscavam a imortalidade. O prana dourado tem a particularidade de poder ser programado para várias funções, desde aumentar o poder mágico, a vidência, e até prolongar a vida, a duração das células do corpo físico, trazer a imortalidade. Existe uma pequena parcela de prana dourado contido em alguns alimentos considerados sagrados pelos povos antigos, como partes de alguns peixes, algumas plantas como o Louro, o Ginseng, no Óleo de oliva... Embora haja escassas fontes exteriores de obtenção deste poderoso elixir da vida, aos iniciados, em essência, o prana dourado deve ser criado através do próprio poder mágico, através da conexão estabelecida pelas duas e interconectadas fontes de existência: a feminina (lunar), e a masculina (solar), por meio dos dois grandes chakras transpessoais; o Estrela da Alma e o Estrela da Terra.
Após o Ritual, seus chakras estarão totalmente energizados pela Kundalini dourada, mesmo após o orgasmo. Você pode visualizar essa energia dourada viajando até seus órgãos, sua pele, seus músculos, ossos, todas as células do seu corpo, e mentalmente pode programar o prana dourado para rejuvenescer seu corpo, curá-lo, torná-lo forte e saudável. Converse com seu corpo físico, pedindo a ele que aceite e redistribua a energia dourada por todo o corpo, todas as células, enquanto imagina seu corpo todo dourado e brilhante, rejuvenescido e saudável.
Com o tempo de prática, você notará o despertar de uma grande reconexão com a Terra, e um sentimento de prazer imenso, que ficará impresso como um novo código energético em seu corpo. O prana dourado ativará em suas células o poder de reter a serotonina despertada pelo orgasmo, e você se sentirá parte de todas as criaturas vidas, e em comunicação pacífica, amorosa e vital com elas. Esse sentimento é a expressão máxima do chakra sexual, e só pode ser acessado se houver uma purificação e harmonização do chakra sexual pela Kundalini da Terra.
O segredo metafísico da relação entre o chakra sexual e a kundalini permaneceu escondido por eras, pois o chakra sexual é também a morada das sombras de personalidade, das emoções inferiores como ciúme, inveja, dominação sobre o outro, vícios. Uma vez que um Mago domine as forças magnéticas da kundalini, seu poder simplesmente se multiplica muitas e muitas vezes.
Na Índia antiga, em muitas interpretações védicas arcaicas, o segundo chakra era considerado o chakra do baço, pois os iniciados eram impedidos pelos grandes mestres de acessarem diretamente o poder oculto do chakra sexual, o verdadeiro segundo chakra. Mesmo entre os antigos mestres chineses, praticantes do Qigong, ou chi kung (que literalmente significa cultivação da energia da vida), as técnicas de obtenção do prana dourado eram apenas reservadas aos estudiosos mais hábeis, que conseguiam sozinhos dominar esta arte, pois nada era ensinado, apenas comentado.
O Ritual do Tantra de Isis é uma maneira segura de explorar os domínios e a expressão máxima do chakra sexual, sem cair na armadilha das sombras que poderiam ser despertadas e energizadas por outras técnicas e práticas sexuais.
        

ELIMINANDO MAGIAS NEGRAS E PADRÕES
NEGATIVOS DE OUTRAS PESSOAS NO SEU PARCEIRO AMOROSO
O Ritual tântrico de Isis é um poderoso remédio para liberação de antigas memórias de relacionamentos passados, e de cordas de energia criadas por intrusos que desejam prender o coração do parceiro.
Antes de iniciar a prática corpórea, durante a fase de preparação da mentalização dos amantes dentro da Lótus coração da Deusa, deve-se imaginar panteras negras devorando toda magia negra e cordas com relacionamentos passados no corpo energético do parceiro. Peça que a Deusa limpe com os animais toda magia e padrões de separação. Todos os chakras devem ser limpos, imaginando-se uma pantera negra devorando a energia negativa para cada chakra do corpo sutil do parceiro.
A pantera negra é o animal que guarda a sabedoria de cura da Deusa primordial, e um dos animais da alquimia metafísica do espírito.
Invocar o poder de cura da pantera negra equivale a drenar para o profundo da Terra os padrões de desequilíbrio contidos nos chakras, e por consequência, toda magia negra e elementais de dominação também serão destruídos.
Você pode realizar o Ritual tântrico como está descrito nos passos posteriores, sem temer ser afetado pela limpeza que os animais da Deusa estarão executando durante o ritual.
       

                                    O QUE É A KUNDALINI ?




  
        




        

A Kundalini é o fogo sagrado que reside próximo a base da coluna vertebral. É simbolizada como uma serpente enrolada (em Sânscrito: kundalini), que se acha normalmente inativa sobre a região coccígea do primeiro chakra (básico). O processo de liberação da Kundalini utiliza os circuitos cristalinos do corpo, particularmente a glândula pineal, e também um arco reflexo especial de energia ressoante que se estende da região do cóccix até a base do cérebro. Nesse processo, que ocorre em etapas, os chakras são ativados e desbloqueados dos implantes energéticos gerados por eras de Karma negativo, que cristalizam as estruturas do sistema de chakras e nadis da malha energética.
A liberação da Kundalini ativa todos os chakras do sistema energético, e unem o sistema ao fluxo de energia proveniente do Eu superior, criando uma ponte espiritual até os níveis superiores de consciência.
Segundo a tradição hindu, a Kundalini tem sete camadas, e cada camada tem sete subcamadas. Há portanto quarenta e nove estágios de ativação da Kundalini. De maneira geral, a Kundalini é ativada em pessoas comuns, mas em grau muito pequeno. A questão então é saber o quanto a kundalini está ativada, e não se ela está ou não está.
Quando a kundalini é despertada de forma inadequada, as qualidades interiores positivas e negativas da pessoa são elevadas a um nível muito alto. A energia da kundalini é como um fertilizante. Sejam quais forem as sementes que estejam no solo, elas serão estimuladas a crescer. Da mesma forma, as sementes antigas que a pessoa possui, sejam boas ou más, serão engrandecidas. É por essa razão que todos aqueles que trilham o caminho espiritual devem vencer seus demônios internos, como uma verdadeira batalha espiritual, através de disciplina, purificação e auto transformação.


Por que a energia da kundalini deve ser despertada? Para permitir que a mente concreta registre as experiências espirituais. Sem a energia da kundalini, a mente concreta não tem como registrar os estímulos espirituais.
      

        



        

No Egito, o despertar da energia kundalini, que se elevou até o centro da cabeça, é simbolizado por uma serpente sobre o adorno de cabeça do faraó.
       
        



        

Nos tempos antigos egípcios, a figura do faraó era a fonte da benevolência e sabedoria para governar seu povo, e requeria austeridade e disciplina espiritual. Os faraós eram conscientes de seu papel, e meditavam regularmente a fim de que seu espírito servisse de modelo a seu povo, pois ambos estavam ligados energeticamente.
    


     


Na tradição chinesa, um sábio cuja kundalini esteja totalmente desperta e que a dominou, é representado por uma pessoa cavalgando um dragão. A figura da Deusa Kuan Yin é representava por vezes dessa forma, pois se sabe que a kundalini só pode ser despertada após o desenvolvimento dos atributos dourados da compaixão e paz interior, atributos do sagrado feminino.
   


        


        

Na índia, o grau do despertar da kundalini é simbolizado pelo número de cobras naja pairando sobre o topo da cabeça do iogue. O número de najas simboliza o número de camadas que foram despertadas. As vezes, pode-se ver a estátua de um iogue meditando, com uma ou três, ou até mesmo cinco najas pairando sobre sua cabeça. Sete najas simboliza uma grande alma, um grande professor espiritual.
        

                                                         O CADUCEU

Como é sabido desde os tempos antigos, a energia vital (prana) caminha pelo corpo etérico através de canais de energia que percorrem o corpo. Estes canais são conhecidos como nadis. Os nadis não são os canais de energia conhecidos pela acupuntura, mas sua estrutura se assemelha a uma malha de luz, que está espalhada pelo corpo etérico, e que tem como função distribuir o prana entre os chakras menores e maiores do corpo energético etérico. Os nadis menores tem conexão com três grandes nadis ou canais centrais de energia que percorrem o corpo, paralelamente a coluna vertebral. Estes canais são chamados ida, pingala e sushumna.
A estrutura dos três canais organiza-se pelo corpo etérico da seguinte forma:
Ida é um canal de energia lunar. A energia que percorre ida é ascendente, e provem do ventre da grande Mãe divina, no centro da Terra, sendo transmutada pelo chakra Estrela da Terra, e pelos chakras secundários dos pés, e depois subindo pelo canal ida até o chakra da coroa, depois pelos chakras Estrela da alma e portão estelar, e indo além, para o Sol e nossa galáxia, a Via Láctea. Sua qualidade é fria, lunar, sua cor é prateada, e vibra uma oitava abaixo do prana comum.
A energia que percorre pingala é descendente, e provém do cosmos, passando pela Via Láctea e pelo Sol, sendo transmutada pelos chakras portão estelar e Estrela da alma, depois pelo chakra da coroa e descendo pelo canal pingala até os chakras dos pés e o chakra Estrela da Terra, e depois ao coração da grande mãe, no centro da Terra. Sua qualidade é quente, solar, sua cor é dourada, e vibra uma oitava acima do prana comum.
Sushumna é o canal (nadi) central de prana. Está ligado a coluna vertebral, e passa por dentro dela. A energia prânica transmutada pelos crakras Estrela da alma e Estrela da Terra percorre esse canal, que tem ligação direta com os nadis, e consequentemente com os chakras. Toda essa estrutura pode ser entendida como uma grande rede de energia que abastece todo corpo etérico com a energia vital, o prana. Os chakras atuam nesse complexo sistema como estações reguladoras e distribuidoras do prana.


A energia que passa pelos canais Ida e Pingala vibra uma oitava abaixo (Ida), ou uma oitava acima (Pingala) do prana comum, e é transformada em prana comum utilizável pelos chakras, que estão relacionados ao canal Sushumna, e distribuem essa energia pelo corpo etérico.

Originalmente, o símbolo do caduceu representava os três canais de energia. O bastão central simboliza o nadi Sushumna, e as duas serpentes enroladas simbolizam os dois canais adicionais Ida e Pingala.
Olhando sob um ponto de vista bidimensional, os três canais de energia Ida, Pingala e Sushumna parecem se cruzar, e por muito tempo foi assim compreendido pelos antigos estudantes da ciência esotérica. O símbolo do caduceu, com duas serpentes que se cruzam, e sobem em torno de um bastão, foi concebido pelos hindus, com os sacerdotes do Deus Shiva, e pelos egípcios, com os sacerdotes do Deus Thot, e depois adotado pelos gregos, como símbolo do Deus Hermes. Foi posteriormente utilizado como símbolo da medicina.
Nota-se que no caduceu, as duas serpentes estão subindo o bastão, formando um entrelaçamento até o topo. Esse símbolo foi assim concebido de maneira intencional pelos antigos sábios egípcios das escolas de mistério. Não era seguro propagar aos leigos os segredos do funcionamento da energia da vida, pois tal informação poderia ser utilizada pelos mal intencionados para provocar doenças psíquicas, ou controlar a mente de outras pessoas.
Se o caduceu fosse representar fielmente o que acontece com energia masculina e feminina universal manifesta no corpo de energia humano, uma das serpentes teria que estar descendo, em direção a Terra, enquanto a outra subiria, em direção ao cosmos, e elas estariam em posição espiral, pois assim a energia caminha.
Na ponta do caduceu, há uma esfera, com asas. Isso simboliza que o espírito humano provém do plano celestial, e tende a retornar a fonte. Quando o espírito evolui na Terra, ilumina-se da verdade suprema, e esta preparado para viver a plenitude da vida terrena.
A outra simbologia da esfera com asas é a Deusa Isis, que foi aluna de Thot. Chamado no Egito de "o não nascido", Thot ensinou a Isis os segredos da Alta Magia, e a partir de então, Isis tornou-se a guardiã dos segredos da Magia, aquela que consegue destruir todos os encantamentos. A esfera com asas simboliza a origem celestial do espírito, a origem de todas as coisas.


No caduceu, as serpentes entrelaçadas na realidade são símbolos da energia da kundalini, provenientes das manifestações masculina e feminina do ser supremo universal, uno, que origina em si todas as coisas.
        

                                          CORDÕES ESPIRITUAIS


        

        

A alma encarnada está conectada à alma superior por um cordão espiritual Em uma pessoa comum, o cordão espiritual é tão fino quanto um fio de cabelo. As pessoas religiosas têm cordões espirituais até da grossura do dedo mindinho. Para aqueles que atingiram um grau substancial de realização da alma, o cordão espiritual é visto como um pilar de luz. É por esse motivo que os santos ou yogues adiantados às vezes são mostrados com um pilar de luz descendo sobre suas cabeças. Se uma pessoa é constantemente maldosa e prejudicial a outras pessoas, o cordão espiritual pode desconectar-se. Ele também pode se desconectar quando alguém leva uma vida emocional e sexual de orgia por um período de tempo prolongado. Quando a pessoa é muito ambiciosa e ganha dinheiro através do sofrimento alheio, o cordão também se desconecta. Quando o cordão é desconectado, a alma encarnada transforma-se em uma alma perdida, um desalmado. Quando uma pessoa pratica a construção do seu caráter, ou o desenvolvimento das virtudes, o cordão espiritual torna-se mais forte e mais grosso. Quando as palavras, os atos, os pensamentos de uma pessoa não são saudáveis, o cordão espiritual fica mais fino.
        



        




O cordão espiritual percorre a coluna pelo canal central da coluna (nadi Sushumna) e continua descendo até a Terra. O cordão inferior é chamado cordão da Terra, e permite que a alma encarnada se enraíze na Terra, e possa ajustar-se ao planeta, e funcionar na consciência das esferas terrenas da existência. O enraizamento inferior permite que o corpo absorva o prana da Terra, necessário a manutenção da saúde e força física do corpo. Outro termo para esse enraizamento inferior é enraizamento na Terra, enquanto que o enraizamento superior é conhecido como enraizamento espiritual. Literalmente, a pessoa é como uma árvore, que requer sustento da Terra e do Sol. O cordão espiritual nos liga ao portal solar, que refina, transmuta, e nos envia do Espaço profundo os raios cósmicos que permitem o sustento da alma encarnada na Terra.
        
 Texto Retirado da Internet sobre a busca de Hieros Gamos e Magia Sexual



        

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Reich – Crescimento Psicológico

Reich definiu crescimento como o processo de dissolução da nossa couraça psicológica e física, tornando-nos, gradualmente, seres humanos mais livres, abertos e capazes de gozar um orgasmo pleno e satisfatório.
Reich achava que a couraça muscular está organizada em sete principais segmentos de armadura, que são compostos de músculos e órgãos com funções expressivas relacionadas. Estes segmentos formam uma série de sete anéis mais ou menos horizontais, em ângulos retos com a espinha e o torso. Os principais segmentos da couraça estão centrados nos olhos, boca, pescoço, tórax, diafragma, abdome e pelve.
De acordo com Reich, a Energia Orgônica flui naturalmente por todo o corpo, de cima a baixo, paralela à espinha. Os anéis da couraça formam-se em ângulo reto com este fluxo e operam para rompê-lo. Reich afirma que não é por acaso que na cultura ocidental aprendemos a dizer sim movendo a cabeça para cima e para baixo, na direção do fluxo de energia do corpo, enquanto que aprendemos a dizer não movendo a cabeça de um lado para o outro, na direção transversa da couraça.
A couraça serve para restringir tanto o livre fluxo de energia como a livre expressão de emoções do indivíduo. O que começa inicialmente como defesa contra sentimentos de tensão e ansiedade excessivos, torna-se uma camisa-de-força física e emocional. No organismo humano encouraçado, a Energia Orgônica é presa nos espasmos musculares crônicos. Após a perda de um anel da couraça, o orgon do corpo não começa de imediato a correr livremente. Logo que os primeiros blocos da couraça são dissolvidos, nós descobrimos que, com os fluxos e as sensações orgônicas, a expressão do “dar” se desenvolve cada vez mais. Entretanto, couraças ainda existentes evitam seu desenvolvimento total.
A terapia reichiana consiste em dissolver cada segmento da couraça, começando pelos olhos e terminando na pelves. Cada segmento é uma unidade mais ou menos independente com a qual se precisa lidar separadamente.
Três instrumentos principais são usados para dissolver a couraça:
1. Armazenamento de energia no corpo por meio de respiração profunda;
2. Ataque direto dos músculos cronicamente tensos (por meio de pressão, beliscões e assim
por diante) a fim de soltá-los;
3. Manutenção da cooperação do paciente lidando abertamente com quaisquer resistências ou restrições que emergem.
Os olhos
A couraça dos olhos é expressa por uma imobilidade da testa e uma expressão “vazia” dos olhos, que nos vêem por detrás de uma rígida máscara. A couraça é dissolvida fazendo-se com que os pacientes abram bem seus olhos, como se estivessem com medo, a fim de mobilizar as pálpebras e a testa, forçando uma expressão emocional e encorajando o movimento livre dos olhos, fazer movimentos circulares com os olhos e olhar de lado a lado.

A Boca
O segmento oral inclui os músculos do queixo, garganta e a parte de trás da cabeça. O maxilar pode ser excessivamente preso ou frouxo de forma antinatural. As expressões emocionais relativas ao ato de chorar, morder com raiva, gritar, sugar e fazer caretas são todas inibidas por este segmento. A couraça pode ser solta encorajando-se o paciente a imitar o choro, a produzir sons que mobilizem os lábios, a morder e a vomitar e pelo trabalho direto com os músculos envolvidos.

O Pescoço

Este segmento inclui os músculos profundos do pescoço e também a língua. A couraça funciona principalmente para segurar a raiva ou o choro. Pressão direta sobre os músculos profundos do pescoço não é possível, portanto, gritar, berrar e vomitar são meios importantes para soltar este segmento.

O Tórax

Este segmento inclui os músculos longos do tórax, os músculos dos ombros e da omoplata, toda a caixa torácica, as mãos e os braços. Ele serve para inibir o riso, a raiva, a tristeza e o desejo. A inibição da respiração, que é um meio importante de suprimir toda emoção, ocorre em grande parte no tórax. A couraça pode ser solta através do trabalho com respiração, especialmente o desenvolvimento da expiração completa. Os braços e as mãos são dos para bater, rasgar, sufocar, triturar e entrar em contato com o desejo.

O Diafragma

Este segmento inclui o diafragma, estômago, plexo solar, vários órgãos internos e músculos ao longo das vértebras torácicas baixas. A couraça é expressa por uma curvatura da espinha para frente, de modo que há um espaço considerável entre a parte de baixo das costas do paciente e o colchão. É muito mais difícil expirar do que inspirar. A couraça inibe principalmente a raiva extremada. Os quatro primeiros segmentos devem estar mais ou menos livres antes que o diafragma possa ser solto através do trabalho repetido com respiração e reflexo do vômito (pessoas com bloqueio intenso neste segmento acham virtualmente impossível vomitar).

O Abdome

O segmento abdominal inclui os músculos abdominais longos e os músculos das costas. Tensão nos músculos lombares está ligada ao medo de ataque. A couraça nos flancos de uma pessoa produz instabilidade e relaciona-se com a inibição do rancor. A dissolução da couraça, neste segmento, é relativamente simples, desde que os segmentos mais altos estejam abertos.

A Pelve
Este segmento contém todos os músculos da pelve e membros inferiores. Quanto mais intensa a couraça, mais a pelve é puxada para trás e saliente nesta parte. Os músculos glúteos são tesos e doloridos, a pelve é rígida, “morta” e assexual. A couraça pélvica serve para inibir a ansiedade e a raiva, bem como o prazer. A ansiedade e a raiva resultam das inibições das sensações de prazer sexual, e é impossível experienciar livremente o prazer nesta área até que a raiva tenha sido liberada dos músculos pélvicos. A couraça pode ser solta primeiramente mobilizando a pelve e fazendo com que o paciente chute os pés repetidas vezes e também bata no colchão com sua pelve.
Reich descobriu que à medida que seus pacientes começavam a desenvolver capacidade para plena entrega genital, toda sua existência e estilo de vida mudavam basicamente. Achava Reich que a unificação do reflexo do orgasmo também restaurava as sensações de profundidade e seriedade. Os pacientes lembram-se do tempo da sua primeira infância, quando a unidade de suas sensações corporais não estava perturbada. Tomados de emoção, falam do tempo em que, crianças, sentiam-se identificados com a natureza e com tudo que os rodeava, do tempo em que se sentiam “vivos” e como finalmente tudo isto fora despedaçado e esmagado pela educação.
Estes indivíduos começavam a sentir que a rígida moralidade da sociedade, que anteriormente reconheciam como certa, era uma coisa estranha e antinatural. Atitudes em relação ao trabalho também mudavam de forma nítida.
Aqueles que faziam seu trabalho como uma necessidade mecânica, via de regra largavam seus empregos para procurar um trabalho novo e vital que preenchesse suas necessidades e desejos interiores. Aqueles que já estavam interessados em sua profissão, muitas vezes desabrochavam com energia, interesses e habilidades novas.

Obstáculos ao Crescimento


Couraça

A Couraça é o maior obstáculo ao crescimento segundo Reich. O indivíduo encouraçado seria incapaz de dissolver sua couraça e, portanto, seria incapaz de expressar as emoções biológicas primitivas. Ele conhece a sensação de agrado mas não aquela de prazer orgônico. Ele não pode emitir um suspiro de prazer e, se tentar, irá produzir um gemido, um berro reprimido ou um impulso para vomitar. Ele é incapaz de deixar sair um grito de raiva ou imitar um punho atingindo o colchão com raiva.
Reich sentiu que o processo de encouraçamento havia criado duas tradições intelectuais distorcidas, as quais formaram a base da civilização: a religião mística e a ciência mecanicista. Os mecanicistas são tão bem encouraçados que não têm idéia real de seus próprios processos de vida ou de sua natureza interna. Eles têm um medo básico de emoções profundas, vivacidade e espontaneidade. Eles tendem a desenvolver um conceito rígido e mecânico da natureza e estão primariamente interessados nos objetos externos e nas ciências naturais.
Comentando sua idéia, achava que pelo fato de uma máquina ter que ser perfeita, por conseguinte, o pensamento e as ações do homem da ciência também teriam que ser perfeitos. Perfeccionismo é uma característica essencial do pensamento mecanicista. Ele não tolera erros e incertezas, e as situações de mudança são inoportunas. Mas este princípio, quando aplicado a processos da natureza, inevitavelmente conduz à confusão, pois a natureza não opera mecanicamente, mas funcionalmente.
Os místicos não desenvolveram sua couraça tão completamente. Eles permanecem, em parte, em contato com sua própria energia vital, e são capazes de grande compreensão interna (insight) por causa deste contato parcial com sua intimidade. Entretanto, Reich via essa compreensão interna (insight) como distorcida, uma vez que os místicos tendem a se tornar ascéticos e anti-sexuais, a rejeitar sua própria natureza física e a perder o contato com seus corpos. Eles repudiam a origem da força vital em seus próprios corpos e localizam-na numa alma hipotética, que eles sentem ter apenas uma tênue conexão com o corpo.
Sobre os místicos, achava Reich que no rompimento da unidade de sentimento do corpo pela supressão sexual e no contínuo anseio de restabelecer contato consigo mesmo e com o mundo, encontra-se a raiz de todas as religiões negadoras do sexo. Deus seria a idéia mistificada da harmonia vegetativa entre o eu e a natureza.

Repressão Sexual
Outro obstáculo ao crescimento é a repressão social e cultural dos instintos naturais e da sexualidade do indivíduo. Reich sentia que esta era a maior fonte de neuroses e que ela ocorre durante as três principais fases da vida, ou seja, durante a primeira infância, puberdade e idade adulta.
Os bebês e as crianças pequenas são confrontados com uma atmosfera familiar neurótica, autoritária e repressora do ponto de vista sexual. Em relação a este período de vida, Reich basicamente reafirma as observações de Freud a respeito dos efeitos negativos das exigências dos pais, relativas ao treinamento da toalete, às auto-restrições e ao bom comportamento por parte das crianças pequenas.
Durante a puberdade, os jovens são impedidos de atingir uma vida sexual real e a masturbação é proibida. Talvez até mais importantes que isto, a sociedade em geral torna impossível, aos adolescentes, lograr uma vida de trabalho significativa. Por causa deste estilo de vida antinatural, torna-se especialmente difícil aos adolescentes ultrapassar sua ligação infantil com os pais.
Por fim, na idade adulta, a maioria das pessoas se vê envolvida na armadilha de um casamento compulsivo, para o qual estão sexualmente despreparadas. Reich também salienta que os casamentos desmoronam em conseqüência das discrepâncias sempre intensificadas entre as necessidades sexuais e as condições econômicas. As necessidades sexuais podem ser satisfeitas com um e o mesmo companheiro durante algum tempo. Também o vínculo econômico, a exigência moralista e o hábito humano favorecem a permanência da relação matrimonial. Isso acaba resultando na infelicidade do casamento. A situação familiar que se desenvolve segue de forma a recriar a mesma atmosfera neurótica para a próxima geração de crianças.
Reich sentia que indivíduos criados numa atmosfera que nega a vida e o sexo desenvolvem um medo do prazer, o qual é representado por sua Couraça Muscular. Essa Couraça do Caráter é a base do isolamento, da indigência, do desejo de autoridade, do medo da responsabilidade, do anseio místico, da miséria sexual e da revolta neurótica, assim como de uma condescendência patológica.
Reich não era otimista demais no que dizia respeito aos possíveis efeitos de suas descobertas. Ele acreditava que a maioria das pessoas, por causa de sua intensa couraça, seria incapaz de compreender suas teorias e distorceria suas idéias. Para ele, um ensino sobre a vida, dirigido e distorcido por indivíduos encouraçados, irá acarretar um desastre final a toda a humanidade e às suas instituições. O resultado mais provável do princípio da potência orgástica será uma perniciosa filosofia de bolso, espalhada por todos os cantos. Tal como uma flexa que, ao desprender-se do arco, salta firmemente retesada, a procura de um prazer genital rápido, fácil e deletério devastará a comunidade humana.
A couraça serve para nos desligar de nossa natureza interna e também da miséria social que nos circunda. Natureza e cultura, instinto e moralidade, sexualidade e realização são elementos que se tornam incompatíveis. A unidade e congruência de cultura e natureza, trabalho e amor, moralidade e sexualidade, unidade esta desejada desde tempos imemoriais, continuará a ser um sonho enquanto o homem continuar a condenar a exigência biológica de satisfação sexual natural (orgástica). A democracia verdadeira e a liberdade baseadas na consciência e responsabilidade estão também condenadas a permanecer como uma ilusão até que esta evidência seja satisfeita.

Corpo

Reich, como a grande maioria dos autores modernos, via mente e corpo como uma só unidade. Aos poucos ele passou de um trabalho analítico, baseado apenas na linguagem, para a análise dos aspectos físico e psicológico do caráter e da couraça caracterológica, dando maior ênfase no trabalho com a Couraça Muscular e no desenvolvimento de um livre fluxo de bioenergia.

Relacionamento Social
Reich via o relacionamento social como função do caráter do indivíduo. O indivíduo médio vê o mundo através do filtro de sua couraça. Caracteres genitais, tendo ultrapassado seu encouraçamento rígido, são os únicos verdadeiramente capazes de reagir de forma aberta e honesta aos outros.
Reich acreditava firmemente nos ideais comunistas enunciados por Marx, aclamando a livre organização na qual o livre desenvolvimento de cada um se tornaria a base do livre desenvolvimento de todos. Reich formulou o conceito de democracia do trabalho, uma forma natural de organização social na qual as pessoas cooperam harmonicamente para favorecer suas necessidades e interesses mútuos, e tentou efetivar esses princípios no Instituto Orgon.

Vontade
Reich não se interessou diretamente pela vontade, embora tenha enfatizado a importância de um trabalho significativo e construtivo. Um de seus princípios era de que “você não precisa fazer nada de especial ou novo. Tudo o que você precisa fazer é continuar o que tem feito: lavrar seu campo, manejar seu martelo, examinar seus pacientes, levar suas crianças à escola ou ao parque de diversões, falar sobre os fatos do dia, penetrar sempre mais profundamente nos segredos da natureza. Todas essas coisas você já faz. Mas você pensa que nenhuma delas tem importância… Tudo o que você tem a fazer é continuar o que você sempre fez e sempre quis fazer: seu trabalho, deixar suas crianças crescerem felizes, amar a mulher”.

Emoções
Reich descobriu que as tensões crônicas servem para bloquear o fluxo de energia subjacente às emoções mais intensas. A couraça impede que o indivíduo experimente emoções fortes e, portanto, limita e distorce a expressão de sentimentos. As emoções deste modo bloqueadas não são eliminadas, pois jamais podem ser completamente expressas. Segundo Reich, um indivíduo só se liberta de uma emoção bloqueada experienciando-a de forma plena.
Reich notou também que a frustração do prazer, muitas vezes conduz à raiva e à fúria. Na terapia reichiana, em primeiro lugar é preciso lidar com as emoções negativas, para que os sentimentos positivos que elas encobrem possam ser completamente experienciados.

Intelecto
Reich se opunha a qualquer separação de intelecto, emoções e corpo. Ele afirmava que o intelecto é, na verdade, uma função biológica, e que ele pode ter uma carga afetiva tão forte quanto qualquer emoção. Reich argumentava que o desenvolvimento completo do intelecto requer o desenvolvimento de uma verdadeira genitalidade. A primazia do intelecto pressupõe uma disciplinada economia de libido, isto é, primazia genital. A primazia intelectual e genital têm a mesma relação mútua que êxtase sexual e neurose, sentimento de culpa e religião, histeria e superstição.
Acreditava Reich que, via de regra, o intelecto opera como mecanismo de defesa, de tal forma que a linguagem falada muitas vezes funciona também como uma defesa. Ela obscurece a linguagem expressiva do núcleo biológico. Em muitos casos, isto vai tão longe que as palavras já não expressam nada e a linguagem falada já não é nada mais do que uma atividade sem sentido dos respectivos músculos.

Self
Para Reich, o Self é o núcleo biológico saudável de cada indivíduo. A maioria das pessoas não está em contato com o Self por causa da couraça física e das defesas psicológicas. Indagava Reich: “- O que é que impedia uma pessoa de perceber sua própria personalidade (Self)? Afinal, a personalidade (himself) é o que a pessoa é. Gradualmente comecei a entender que é o ser total que constitui a massa compacta e obstinada que obstrui todos os esforços da análise. A personalidade inteira do paciente, o seu caráter, a sua individualidade resistiam à análise”.
Segundo Reich, a interação de impulsos reprimidos e forças defensivas repressoras cria uma terceira camada entre as duas correntes libidinais opostas: uma camada de falta de contato. Esta falta de contato não está interposta entre as duas forças. É antes, uma expressão da interação concentrada das duas.
O contato requer um livre movimento de energia. Ele só se torna possível quando o indivíduo dissolve sua couraça e torna-se plenamente consciente do corpo e de suas sensações e necessidades, entrando em contato com o núcleo, os impulsos primários. Enquanto há a presença de bloqueios, o fluxo de energia e a consciência são restritos, e a autopercepção é bastante diminuída e distorcida.

Terapeuta
Além de treino na técnica terapêutica, o terapeuta deve ter feito um progresso considerável em seu crescimento e desenvolvimento pessoais. Ao trabalhar tanto psicológica quanto fisicamente com um indivíduo, o terapeuta deve ter superado todos os medos de sons sexuais abertamente emitidos e do “ondular orgástico”, livre movimento de energia no corpo.
Baker, um dos principais terapeutas reichianos nos Estados Unidos, recomenda que nenhum terapeuta deveria tentar tratar pacientes que tenham problemas que ele não foi capaz de solucionar em si mesmo, e nem deveria esperar que um paciente faça coisas que ele não pode fazer e que não foi capaz de fazer. Outro reichiano eminente escreveu que o pré-requisito indispensável em qualquer método usado pelo terapeuta para libertar as emoções contidas na musculatura é que ele esteja em contato com suas próprias sensações e que seja capaz de empatizar completamente com o paciente e de sentir em seu próprio corpo o efeito das constrições particulares da energia do paciente.
Reich era ele próprio considerado um terapeuta brilhante e teimoso. Mesmo sendo um analista ortodoxo, ele era extremamente honesto e até brutalmente direto com seus pacientes. Nic Waal, um dos melhores psiquiatras da Noruega, escreveu o seguinte a respeito de suas experiências em terapia com Reich:
“- Eu era capaz de suportar ser subjugado por Reich porque eu gostava da verdade. E, coisa bastante estranha, eu não era subjugado por isto. No decorrer de toda esta atitude terapêutica em relação a mim, sua voz era amorosa e ele sentava-se a meu lado e fazia-me olhar para ele. Reich me aceitava e subjugava apenas minha vaidade e minha falsidade. Mas eu entendi, naquele momento, que a honestidade e o amor verdadeiros, tanto de um terapeuta quanto dos pais, por vezes é a coragem de ser aparentemente cruel sempre que necessário. Entretanto, isto exige muito do terapeuta, de seu treinamento e de seu diagnóstico.”




* – baseado no livro “Teorias da Personalidade”- J. Fadiman, R. Frager – Harbra – 1980
para saber mais: Tipos Psicológicos – C.G.Jung – Zahar Editores – RJ – 1980