e Princípios Tântricos
e as Sete Escolas do Tantra
e a Kundaliní
Sou uma mistura do certo e errado, de sonho e realidade... "Meus pensamentos me levam a lugares, que só eu consigo chegar, em meu coração há sentimentos que só eu consigo sentir. Coisas puras, que não ligo se alguém duvidar. Meu verdadeiro eu, só eu conheço, o resto é apenas um ponto de vista.. (11)98484-0018 tim
Dia após dia podemos perceber inúmeros indicadores de que nossa sociedade está doente, como a desenfreada degradação ambiental que vem ocorrendo nos últimos séculos, a inversão de valores morais, a desvalorização das virtudes e da vida em si, a exaltação da habilidade de explorar as fraquezas do próximo em nome de vantagens pessoais e as frequentes guerras e mortes que acontecem pelo mundo em nome de deuses, nações e ideologias.
O resultado disso tudo é um mundo violento e artificial, onde as pessoas buscam o Ter mais do que o Ser, e a aparência parece importar mais que a essência. E todos nós sofremos com isso, pois a sociedade produz ideais de beleza e sucesso difíceis de serem alcançados e que, mesmo quando alcançados, não trazem contentamento e paz espiritual.
Vocês percebem que a mídia vende ideais de beleza e sucesso muitas vezes materialistas e fúteis?
Cada vez mais pessoas sofrem por não terem corpos normativos ou poder aquisitivo, ou até mesmo por não encontrarem satisfação no dinheiro e nas coisas materiais. Tentando preencher o vazio espiritual com compulsões e perversões, acabamos montando o cenário perfeito para a manifestação de distúrbios alimentares, sexuais, comportamentais e psicológicos. Há uma ânsia incessante por poder, riqueza material e satisfação sensorial.
Como chegamos onde estamos
O mundo de hoje é um produto de milênios da supremacia patriarcal, que moldou valores morais, espirituais, culturais, sociais e comportamentais e foi amparada pela hierarquia religiosa masculina.
Durante anos da história, toda e qualquer manifestação da energia feminina foi negada e suprimida. Assim, instaurou-se o que vemos hoje: uma cultura exclusiva e destrutiva, repleta de violência, conquista e dominação, desequilibrada e problemática. Nossa sociedade tem sido resistente às qualidades femininas; para muitos, possuir qualidades femininas significa ser frágil, dependente ou incapaz.
Os sistemas religiosos e sociais dos últimos milhares de anos tiveram predominância masculina e patriarcal, elevando o Deus Pai acima da Mãe Terra e homens acima das mulheres. A situação atual do mundo e do ser humano é resultado de anos de soberania patriarcal e excessiva valoração de qualidades masculinas em detrimento das femininas.
Entretanto, na história encontramos vestígios e registros de diversas culturas ancestrais que louvavam o Feminino, veneravam a Deusa Mãe e viviam de forma mais igualitária, sustentável e pacífica. Nunca foi tão urgente resgatar as memórias perdidas dessas culturas matriarcais para nos inspirar a reconstruir valores para um mundo mais saudável e justo.
A importância do Sagrado Feminino
O Sagrado Feminino não se restringe a gêneros; as qualidades femininas e masculinas existem tanto nas mulheres como nos homens. Algumas pessoas naturalmente carregam em si mais características masculinas ou femininas, sendo que no mundo atual há predomínio de energia masculina e isso está afetando negativamente a todos, principalmente as mulheres. É importante ressaltar que o Sagrado Masculino também é imprescindível e deve ser resgatado e ressignificado. Eis algumas qualidades associadas a cada princípio:

O Princípio Feminino está relacionado à fertilidade, receptividade, criatividade e intuição; já o Princípio Masculino se expressa por meio da lógica, do poder racional, da força motriz, do ímpeto e da proteção. Nenhuma ideia é concretizada sem que haja alguma ação, portanto, a criação sempre virá da combinação e do equilíbrio de energias masculinas e femininas.
Os Princípios Masculino e Feminino são complementares, independem de gênero e devem estar em equilíbrio para que o Ser atinja seu máximo potencial. Ambos os Princípios podem se manifestar de forma distorcida e descompensada, gerando desequilíbrios no indivíduo e na coletividade:
Portanto, é importante observar a si mesmo e identificar qual Energia está se manifestando de maneira exacerbada e trabalhar para equilibrá-la.
Em tempos de crise global e energia masculina descompensada, é necessário resgatar o poder espiritual feminino, equilibrando as polaridades. A conscientização e valorização do Princípio Feminino ajudará todas as pessoas a alcançarem saúde emocional, autoestima, equilíbrio e paz, aumentando os níveis de respeito, gentileza, tolerância e cordialidade, promovendo assim a harmonia mundial.
No Universo, os Aspectos do Divino Feminino se manifestam em restauração, vida, renovação, criação, nascimento, cura, receptividade, abertura, carinho, amor, compreensão, compaixão, intuição, sabedoria, perdão, a lua, conexão, harmonia, sensualidade…
Esforços para conceituar o Sagrado Feminino
O intelecto humano tem a constante necessidade de nomear e conceituar tudo. Porém, certas forças e fenômenos estão além da nossa compreensão e são muito profundos, o que torna difícil defini-los. E o potencial espiritual feminino é inefável!
A própria racionalização excessiva está ligada ao princípio masculino em desequilíbrio. É necessário criar espaço para a sensibilidade feminina, para que o SENTIR se faça mais presente.
Neste contexto, deixo um jogo de palavras e proponho uma reflexão:
RELIGIÃO vs ESPIRITUALIDADE
ACREDITAR vs SENTIR
SEGREGAR vs UNIR
Viva suas próprias experiências e contemple a beleza da existência, reconhecendo a presença do Sagrado Feminino no seu dia a dia e produzindo assim percepções únicas e individuais.
Sabe quando você conhece uma pessoa incrível e na hora do sexo sente que o mundo até desaparece, de tão boa que está sendo aquela experiência? Ou então quando você se interessa por alguém que faz seu coração acelerar, mas na hora H parece que alguma coisa deu errado entre vocês? Esses diferentes sentimentos podem ser explicados pela energia que trocamos durante o sexo.
Todas as pessoas emanam vibrações diariamente. Algumas liberam energias positivas, enquanto outras podem estar rodeadas por negatividade. Porém, o que define a nossa compatibilidade com outros indivíduos é o quanto as nossas energias combinam. Mesmo que você conheça uma pessoa que só emana positividade, talvez ela ainda não seja compatível com você.
Se tudo o que existe é energia e se trocamos energia com tudo o que interagimos, isso quer dizer que, na hora da intimidade, existe uma forte troca de energia vital. Sendo assim, no sexo, momento em que as relações são mais intensas, o corpo acaba exteriorizando toda a energia que antes estava acumulada; e, ao mesmo tempo, tem acesso a toda a frequência energética que pertence ao parceiro. Tudo isso intensificado pela proximidade e pela força dos chackras.
Esse encontro torna-se ainda mais satisfatório quando ambos os lados da relação estão na mesma frequência de energia. Isso se dá, pois os corpos compartilham “informações” que são transmitidas pela energia. Um parceiro é capaz, então, de deixar um “fio” de energia conectado ao outro, que pode ficar presente por muito tempo.
Nos relacionamentos sexuais acabamos irradiando uma quantidade enorme de energia pessoal e cada parceiro acaba deixando um pouco de sua frequência no campo magnético do outro. Essa ligação de energia é extremamente potente, podendo permanecer no corpo por anos, sendo ela responsável por aproximar a frequência de quem se relaciona dessa maneira.
Exemplificando este caso: se uma pessoa está preocupada, angustiada e cheia de problemas, cada um que se relacionar com ela compartilhará um pouco dessa preocupação. Da mesma forma, o oposto também acontece: um casal que se encontra na mesma frequência vibracional, em sintonia e harmonia, acabam trocando essa mesma carga e o prazer é ainda mais intenso.
Às vezes, mesmo que não tenhamos ideia do motivo, temos ótimas relações sexuais quando a sensação entre os parceiros é a de que se conhecem há muito tempo. Isso parece difícil de explicar, mas na verdade só ocorre por conta da frequência vibracional parecida em que ambos se encontram.
Essa conexão tão forte é chamada de amarra cármica e ela também merece atenção, pois pode causar sérios prejuízos quando nos relacionamos com alguém que não está em sintonia com nossas vibrações energéticas. É muito comum que, depois de transar com alguém, as pessoas sintam-se para baixo. Esse sentimento pode ser bem sutil, lembrando apenas uma preocupação ou cansaço, mas, na verdade, é exatamente aquele “fio” de energia que foi transmitido durante o sexo e que ainda está muito forte em seu corpo.
Quando isso acontece, é porque um dos parceiros estava numa baixa frequência energética e acabou compartilhando esse magnetismo.
É por isso que já presenciamos, ou ao menos ouvimos falar, de relacionamentos destrutivos. Nesses casos, sempre existe alguém que mantém-se em um campo magnético baixo, e, então, os sentimentos ruins aparecem e acabam transmitidos ao parceiro.
Um ponto muito importante também deve ser lembrado aqui: as amarras cármicas não têm nenhuma relação com a moral ou com o casamento. Existem, sim, muitos relacionamentos duradouros nos quais ambos os parceiros não estão em sintonia e acabam fazendo muito mal ao outro. E, por outro lado, em alguns encontros sexuais casuais pode haver uma conexão e equilíbrio energéticos impressionantes!
Assim sendo, todos os seres humanos devem ficar muito atentos na hora em que se relacionam intimamente com outra pessoa. As vibrações de nosso corpo são responsáveis por nossa personalidade e por nosso estado de espírito, então é sempre bom ficar atento aos sinais e entender quando uma individualização pode ser bem-vinda.
Para purificar essa energia carregada que podemos receber, tente sublimar sua própria energia. Para isso, é necessária a interiorização por meio da reflexão e a conexão com o seu interior. É elevar a tensão sexual ao Plano Superior e não deixar que ela te controle e domine. Trabalhe sua energia interna para que você consiga exteriorizá-la apenas em forma de amor!
Agora, sabendo de todas essas informações, você certamente se sentirá muito mais livre para tomar suas próprias decisões e escolher com quem estará disposto a compartilhar aquilo que te dá mais vida: a energia.
Escrito por Lais Mori
Cada mais controverso do que conversar sobre o tantra. Talvez esta tenha sido uma das contribuições mais interessantes e contraditórias do oriente ao ocidente. Os primeiros contatos com esta prática espiritual somente chegaram na Europa no séc. XIX pelo então juizinglês da Corte em CacutáSir John Woodroffe, que publicou um famoso livrochamdo “o poder serpentino”.
O fato é que existem varias linhas muito diferentes do tantra: jainista, budista, sikh e hindu em várias vertentes: shaktas (envolve o rito do sagrado feminino), shivaistas (deus da destruição), vaishinavas (seguidores de Vishnu, preservador do Universo e que reencarnou em vários avatares), Ganopatas (adoradores de Ganesha– deus elefante) E Hanupatas (adoradores do deus macacoHanuman).
Independe dos mitos ou ritos de cada uma destas vertentes, todos tem algo em comum: a prática espiritual ou sádhana. Esta não nega a experiência do mundo dos sentidos, pois é através das sensações corporais que alcançamos a realização.
Tantra é extremamente envolto em práticas de magias, amuletos, diagramas, imagens e mantras. É extremamente colorido e representa o corpo espiritual através dos chakras ou rodas de energia. Toda esta forma colorida em representar as artes e as técnicas profundas de meditação e de produção de estados modificados de consciência logo atraiu um grande numero de seguidores.
A origem precisa do Tantra é de difícil afirmação, mas historiadores em geral a colocam em torno do séc.V d.C. Segundo Feuerstein, ele foi um movimento em meio a crise do brahmanismopromovido pelas castas inferiores da Índia(pescadores, tecelões, comerciantes, lavadeiras) que estavam excluídos na espiritualidade hindu tradicional que excluía o povo da vivência espiritual. O tantra nasceu desta reação as castas religiosas e aos conceitos abstratos da filosofia Vedanta. Por isso foi uma religiosidade prática diretamente conectada ao Yoga.
Diferentemente da moral ortodoxa, o tantrismo sugeria mesmo em romper com as normas vigentes para alcançar a espiritualidade máxima. Passou a ser comum andar nus como prática de desapego, ou mesmo em alguns casos introduzir a prática da sexualidade sagrada, ingerir vinho e comer peixe.
Embora estes ritos fossem comuns apenas para uns poucos grupos que executavam práticas de mão esquerda, isto em si, já evidenciava quão revolucionário e diverso era o tantra das representações religiosas tradicionais.
Para facilitar a iniciação ao Tantra tornou-se comum os usos de imagens coloridas de deuses, animais sagrados e a anatomia sutil e exotérica por meio de charkras coloridos (pontos de energia em forma de rodas) e os canais de energia. O objetivo do tantra estaria em despertar o “poder da serpente”, situado na base da coluna vertebral, ou região sexual e, conduzir esta energia ao topo da cabeça.
Figuras do sec XVIII
O rito da sexualidade sagrada era representado nas artes mesmo nos grupos que praticavam a retenção da energia sexual por adotarem obrahmacharia. A relação espiritual almejava equilibrar a energia feminina e masculina para se atingir a experiencia do divino. Neste caso a energia sexual retida garantia a ascensão da energia kundalini.
Nesta gravura há uma cena em que A deusa da Fúria Kali destrói um exército e ao final em êxtase dança sobre o corpo de Shiva que se apresenta com o lingam ereto. O coito sagrado era uma relação não apenas mundana, mas sagrada em que mulheres e homens convertiam-se em deuses.
Na cultura religiosa budista o intercurso sexual aprece em diversas xilogravuras mostrando Buda mantendo relações sexuais com Tara, deidade feminina no budismo tibetano. O objetivo era o mesmo: alcançar a iluminação e a consciência cósmica por meio da sexualidade.
Toda esta abertura entre o sagrado e a espiritualidade acabou sendo fortemente reprimida por uma conjunção de fatores históricos: a retomada do poder por parte das castas bramânicas, as invasões islâmicas (700 a 1800 dC) e finalmente a ocupação britânica e a cultura repressiva da Era Vitoriana no séc. XIX.
Esta liberdade das artes, da sexualidade e dos ritos mágicos também exerceu influência nas relações com a natureza e o entendimento de uma mentalidade suave em relação a mãe terra. Os ritos do tantra incorporaram o princípio do ahimsa ou amor e paz condicional aos animais e a natureza, considerada a manifestação de Prakriti ou deusa da criação do mundo material.
Os Pujas tântricos substituíram os sacrifícios de animais por ritos pacíficos com flores, frutos e água. Pode-se afirmar que ao reforçar o imaginário e os mitos femininos,a violência das castas guerreiras e das castas sacerdotais patriarcais perderam sua força na representação do sagrado.
Seu ato sexual e o sexo tântrico são fundalmentalmente diferentes. Seu
ato sexual é para aliviar; é como dar um bom espirro. A energia é jogada
fora e você fica aliviado. Isso é destrutivo, não é criativo. É bom,
terapêutico. Ajuda você a relaxar, nada mais.
O sexo tântrico é diametralmente oposto e completamente diferente.
Não é para aliviar, não é para jogar energia fora. É para permanecer no
ato sem ejaculação, sem jogar energia fora; permanecer no ato excitado —
apenas na parte inicial do ato, não no final. Isso muda a qualidade — a
qualidade final é diferente.
Tente entender duas coisas. Existem dois tipos de clímax, dois tipos
de orgasmos. Um tipo de orgasmo é conhecido. Você chega ao pico da
excitação, depois você não pode ir além disso: o fim chegou. A excitação
chega a um ponto onde isso se torna involuntário. A energia pula para
dentro de você e sai. Você fica aliviado, descarregado. A carga de
energia é jogada; aí você pode relaxar e dormir.
Você está usando o sexo como tranquilizante. É um tranquilizante
natural, o ajudará a dormir bem — se sua mente não estiver oprimida pela
religião. Caso contrário, mesmo o tranquilizante não vai fazer efeito.
Se sua mente não estiver oprimida pela religião, só então o sexo pode
ser algo tranquilizante.
Se você sente-se culpado, mesmo seu sono será perturbado. Você se
sentirá deprimido, você começará a se condenar e fará juramento de que
não se entregará mais. Então o seu sono se tornará um pesadelo depois.
Se você é um ser natural não oprimido pela religião e pela moralidade,
então o sexo pode ser usado como um tranquilizante.
Este é um tipo de orgasmo — chegar ao pico da excitação.
O Tantra é centrado em outro tipo de orgasmo. Se nós chamarmos o
primeiro tipo de orgasmo do pico, você pode chamar o orgasmo do Tantra
de orgasmo do vale.
Nesse tipo de orgasmo, você não chega ao pico da excitação, mas no
vale mais profundo do relaxamento. A excitação tem que ser usada por
ambos no começo. É por isso que eu digo que no começo eles são iguais,
mas no fim eles são totalmente diferentes.
A excitação tem que ser usada por ambos: ou você alcança o clímax da
excitação ou o vale do relaxamento. Para o primeiro, a excitação tem
que ser intensa — cada vez mais intensa. Você tem que crescer na sua
excitação, você tem que ajudá-la a crescer em direção ao pico.
No segundo, a excitação é apenas o começo. E uma vez que o homem
tenha penetrado, ambos, amante e amado podem relaxar. Nenhum movimento é
necessário. Eles podem relaxar num abraço amável.
Quando o homem sentir ou a mulher sentir que a ereção vai ser
perdida, então é necessário um pequeno movimento para voltar a
excitação. E depois relaxe novamente. Você pode prolongar esse abraço
intenso por horas, sem ejaculação, e depois ambos podem adormecer
juntos. Este é o orgasmo do vale. Ambos estão relaxados, e se encontram
como dois seres relaxados.
No orgasmo comum, vocês se encontram como dois seres excitados,
tensos, tentando descarregar suas energias. O orgasmo comum parece
loucura; o orgasmo tântrico é uma profunda, relaxante meditação.
Você talvez não esteja consciente disso, mas esse é um fato da
biologia, da bioenergia, onde mostra que o homem e a mulher são forças
opostas. São o negativo e o positivo, o yin e o yang, ou qualquer coisa
que queira chamá-los — eles estão desafiando-se mutuamente.
E quando ambos se encontram num profundo relaxamento, eles se
revitalizam um no outro. Ambos se revitalizam, tornam-se geradores,
sentem-se mais vivos, tornam-se radiantes com a nova energia, e nada é
perdido. Apenas pelo encontro com o polo oposto a energia é renovada.
O amor tântrico pode ser feito tanto quanto quiser. O ato sexual
comum não pode ser feito da mesma forma porque você está perdendo
energia ao fazê-lo, e seu corpo terá que esperar para recuperar. E
quando você recupera energia, você irá perdê-la novamente. Isso parece
absurdo. Sua vida inteira é gasta em ganhar e perder, recuperar e
perder. Isso acabou virando uma obsessão.
A segunda coisa a ser lembrada: você talvez tenha ou talvez não
tenha observado que quando você olha para os animais, você nunca os vê
desfrutando o sexo. Nas suas relações sexuais, eles não estão sentindo
êxtase ou desfrutando.
Olhe para os macacos, para os cães ou para qualquer outro tipo de
animal. Em seus atos sexuais você não pode ver que eles estão sentindo
êxtase ou desfrutando — você não pode! Parece ser um ato mecânico, uma
força natural os empurrando em direção ao ato sexual.
Você já observou macacos em suas relações sexuais? Depois do ato
sexual eles se separarão. Olhe para eles: não há nenhum êxtase neles, é
como se nada tivesse acontecido. Quando a energia empurra pra fora,
quando a energia é muita, eles a descarregam.
O ato sexual comum é exatamente como isso, mas os moralistas dizem
exatamente o contrário. Eles dizem: "Não se entregue, não desfrute."
Eles dizem: "Isso é como os animais fazem." Isto está errado! Os animais
nunca desfrutam; só o homem pode desfrutar. E quanto mais fundo ele
desfrutar, mais elevada será a humanidade. E se seu ato sexual pode
torná-lo meditativo, extático — o mais alto é alcançado.
No ocidente, Abraham Maslow tornou este termo — experiência de pico — muito formoso.
Sua excitação chega até o pico, e depois cai. É por isso que, depois
de todo o ato sexual, você sente uma queda. E é natural porque você
está descendo de um pico. Você nunca sentirá isso depois de uma
experiência com o Tantra. Você não se sente caindo. Você não pode cair
além daquilo porque você está num vale. Melhor, você está subindo.
Depois que você faz sexo tântrico, você percebe que subiu, não caiu.
Você sente que está com energia, mais vitalizado, mais vivo, radiante. E
esse êxtase continuará por horas, até mesmo dias. Isso depende de
quanto profundamente você estava.
Se você se move dentro do sexo tântrico, mais cedo ou mais tarde
você perceberá que ejaculação é perda de energia. Não há necessidade
disso — a menos que queira ter filhos. E com uma experiência tântrica
você sentirá um profundo relaxamento durante o dia todo.
Após o ato sexual tântrico, e mesmo por dias você se sentirá
relaxado — você se sentirá tranquilo, à vontade, não-violento, sem
raiva, não-deprimido. E esse tipo de pessoa nunca é um perigo para os
outros. Se ele puder, ele ajudará os outros a serem felizes. Se ele não
puder, pelo menos ele não fará ninguém infeliz.
Só o Tantra pode criar um novo homem, esse homem que pode conhecer o
eterno, o não-ego, e uma profunda não-dualidade com a existência
crescerá.
Osho em O Livro do Homem