segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Chakras e As Capacidades Ocultas do Homem







Dentre a imensidão misteriosa que compõe um ser humano, encontram infinitas possibilidades, mais além daquilo que a ciência oficial materialista já pôde através de séculos de evolução constatar. Certamente tudo o que já sabemos sobre o funcionalismo de um organismo humano é motivo mais que suficiente para sentirmos uma grande expressão de assombro, e uma gratidão equivalente pelo engenho tão mágico empregado na construção desta magnífica expressão de vida!
O corpo humano, que é apenas uma diminuta expressão da infinitude que nos compõe, conta com recursos verdadeiramente impressionantes de auto-cura, regeneração, proteção, percepção, etc… por mais que se mergulhe na vastidão deste complexo humano, jamais se esgotam as surpreendentes descobertas acerca deste microcosmos infinito. Passar-se-iam séculos e milênios e mesmo com uma dedicação absoluta a ciência ainda estaria a descobrir…
“Nosce te Ipsum”, já diziam os antigos gregos exortando o homem ao auto conhecimento. Estamos muito mais próximos de descobrir os segredos de distantes galáxias do que de conhecer as possibilidades latentes em nosso própria constituição humana. Uma das maiores desventuras desta época dolorosa em que se encontra a humanidade em seu passo pela história, foi o terrível distanciamento do homem de si mesmo para submergir tristemente a consciência particular em tudo aquilo que se apresenta do “lado de fora”, nas diferentes cenas da vida cotidiana, e em tudo aquilo que criou os sistemas deste mundo para distrair o ser humano do verdadeiro sentido da existência.
Tristemente caminha o ser humano do berço à sepultura sem sequer vislumbrar que possui em seu interior tanta grandeza e magnitude. É sem dúvida o ser humano a criação mais excelsa da natureza e onde ela depositou as possibilidades mais incomensuráveis. Para o homem verdadeiro nada é impossível, já diziam os sábios. Está fora de cogitação que esta possa ser apenas uma frase de efeito, pois a história conheceu homens e mulheres certamente prodigiosos, capazes de realizar feitos mágicos e incompreensíveis. Recordamos neste momento aos contos à cerca de alguns santos do passado que eram vistos à flutuar metros e metros de altura cada vez que com grande mística se entregavam a oração. Rememoramos aqueles discípulos diretos do Buda que atravessavam montanhas de ponta à ponta, sem que houvesse nelas qualquer passagem no mundo físico. É magnífico saber que grandes profetas figuraram no cenário da humanidade e através do sentido da clarividência puderam prever acontecimentos importantíssimos da história. Não menos surpreendente é o fato contundente de que mais além das crenças ou ceticismos que possam pairar em nossa cabeça, há homens como um Dalai Lama, o grande líder espiritual do Tibet, que afirma recordar-se de todas as suas existências passadas.
Voltando o olhar neste momento ao simples e ao singelo, dos fatos mais corriqueiros da vida humana, como por exemplo aquela mãezinha que sabe por intuição quando seu filho corre perigo, ou está enfermo, daquelas pessoas muito psíquicas que sonham e seus sonhos se tornam muitas vezes fatos concretos, e tantos outros detalhes inexplicáveis para uma ciência embutida no materialismo, nos deparamos então com a verdade inconteste de que existem no ser humano capacidades psíquicas ocultas legadas pelos sentidos supra-sensoriais conhecidos em linguagem esotérica como Chakras.
A ciência esotérica nos permite conhecer por experiência direta a realidade destes discos ou rodas magnéticas contidos em nosso universo interior. O franco estado de degeneração em que lamentavelmente nos encontramos produziu o atrofiar destes sentidos ocultos maravilhosos, o que resultou matematicamente na perda das capacidades de ver, ouvir e tocar as realidades dos mundos supra-sensíveis ou dimensões ocultas da natureza, onde estão contidas as verdades cósmicas e os mistérios mais extraordinários da criação divina. “Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”!
É indispensável saber que em todo o nosso corpo existem vórtices de energia ou chakras, mas que sete é o número mágico que organiza a orquestra da grande criação. Sete são os dias da semana, sete são as notas musicais, sete cores há no arco-iris, sete dimensões básicas há na criação e sete chakras pricipais tem o ser humano. Tais rodas magnéticas estão alinhadas com a coluna espinhal e possuem o assento físico em alguma glândula ou órgão de nosso corpo. De maneira que o girar explêndido de tais discos, resulta colaborando impreterivelmente com a saúde de todo o nosso organismo. Hoje por hoje podemos afirmar categoricamente que estes chakras no ser humano comum e corrente, que todavia não se colocou a exercitar, se encontram praticamente atrofiados, a exceção de pessoas que possuem lampejos destas tão apreciáveis capacidades psíquicas.

Despertar, desatrofiar, funcionar tais chakras é o magno desafio a que nos propomos para alcançar desta maneira a saúde e o desenvolvimento harmonioso das nossas infinitas possibilidades latentes. Este feito prodigioso é certamente possível mediante uma disciplina esotérica e psicológica diária, que nos recompensará com vibrações cada vez mais positivas e com estados de felicidade cada vez mais palpáveis. Os chakras são os sentidos que nos conecta às realidades das dimensões supra-sensíveis do hiper espaço, que traduzido à luz das escrituras sagradas de todos os tempos são os céus, os mundos superiores, ou mundos inefáveis.
Na lei de afinidade vibratória se encontra a grande chave para fazer girar a roda magnética. Da mesma maneira que ao fazer soar uma nota em um instrumento musical afinado com outro instrumento musical, observamos o ressoar naquele em que não tocamos a nota, apenas por afinidade vibracional.Desta forma, ao entoar deliciosamente os sagrados mantras com o poder mágico de nossa laringe criadora, faremos girar a roda ou chakra correspondente.
Concentre-se no entrecenho e vocalize o mantra I alongando (iiiiiiiiiiiii…) e com a insistência e perseverança daquele que jamais desiste de sua meta, pouco a pouco despertarás a capacidade de ver com clareza o ultra da natureza, as grandes realidades do universo e os fatos sublimes da criação. Clarividência é o nome deste sentido oculto situado na glândula Pineal.
Vocalizar o mantra E (eeeeeeee), em um estado de perfeito relaxamento e concentração, resultará no despertar do poder de síntese conceitual, e no desabrochar do ouvido mágico, o qual possuíam os grandes gênios da música como Beethoven, Mozart, Vivaldi, etc. Tal chakra mágico reside na Tireóide e Para-Tireóide.
Ao entoar a vogal O (oooooooo), ativamos os poderes sensíveis do cárdias, ou chakra do coração, que nos dá sensibilidade, inspiração e a magnifica intuição, que nos permite saber sem a necessidade de pensar, compreender sem o doloroso processo do raciocínio. Como dizia Albert Ainstein “Penso 99 vezes e não chego a resposta, paro de pensar e ela me chega”. Assim é a delicada intuição, um sentido de percepção interna, muito mais apurado que tudo aquilo que o intelecto vislumbra.
Todo o nosso sistema digestivo pode ser beneficiado de forma encantadora ao colocarmos em atividade o disco magnético do plexo solar, situado dois dedos acima do umbigo, também conhecido como chakra umbilical. U (uuuuuuu…) é o mantra que o desperta para a atividade. Aquele que ativa tal centro, adquire o dom da telepatia, e o domínio das emoções.
Através da dedicada vocalização do mantra A (aaaaaaa….) despertamos o chakra pulmonar, através do qual se pode rememorar as vidas passadas, e melhorar as condições deste orgão vital de nosso organismo.
Imitando ao mugido de um boi, vocalize-se diversas vezes o mantra M (mmmmmm….) para tirar da letargia ao chakra prostático/uterino. Além de uma exelente saúde em todo o sitema reprodutor, tal disco nos lega a capacidade de desdobrar em astral consciente.
Há ainda em nosso cóccix um chakra oculto que nos permite o domínio do corpo físico, o qual se ativa com o mantra S (ssssss…), cuja pronúncia imita ao sibilo da serpente.
Ser um praticante, sair do cruel labirinto das teorias e evidenciar por sí mesmos a realidade de todas as coisas é extraordinário, pois nos liberta da crença e do ceticismo que mantêm à humanidade nas trevas mais profundas da ignorância. “Conhecei a verdade e ela vos fará livres”, já diziam as escrituras sagradas. As ferramentas para o conhecimento profundo estão não fora nas rebuscadas criações humanas mas dentro, nas delicadas entranhas de nossa própria constituição particular. Os chakras são sentidos de natureza bastante sensível e delicada, por tal motivo é necessário mais além de uma disciplina diária de vocalização mantrica, também o constante cultivar das virtudes humanas. Pois com ataques de ira, cobiça, inveja, luxúria, ciumes e tantos sentimentos pesados de natureza infra-humana que desgraçadamente processamos, só o que conseguimos é danificar tais centros e prejudicar o seu harmônico desenvolvimento.
Assim que dentro de nós está o vasto universo de possibilidades infinitas, que sabiamente desenvolvidas e aproveitadas, nos conferem a genialidade, a inteligência mágica e a felicidade mais requintada do mundo espiritual. Praticai! Já dizia o grande médico e esoterista Huiracocha: “é melhor vocalizar uma hora diária do que ler uma biblioteca inteira de livros”. A prática nos conduz a experiência e a experiência no interior do homem virtuoso se converse em sabedoria.
Texto original do site Gnosisbrasil

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Tantra: Mão Esquerda & Mão Direita





Tantra é uma cultura e suas diversas práticas estão divididas genericamente sobre duas categorias: «mão esquerda» e «mão direita», respectivamente vāmācāra e kaulācāra. O pensamento tântrico aceita a vida como ela é, como ela evolui naturalmente e procura proporcionar o desenvolvimento dos diferentes aspectos da personalidade sem impor disciplinas idealistas. A tradição busca apenas transformar a atitude humana, seu comportamento, natureza e expressão.

Nós temos certos desejos de acordo com nossos gostos e escolhas. Agora, esses desejos, ambições ou objetivos que estabelecemos na vida, representam nossa auto-satisfação: «eu quero me satisfazer», «eu tenho de alcançar algo na vida», «eu tenho de ser alguém». Este desejo de auto-satisfação pode ser uma grande força motivadora se for canalizado em uma direção positiva. Ele também pode ser uma força deveras limitativa e egoísta se for canalizado em uma direção negativa. Assim, a principal ênfase do Tantra está em canalizar todo o tipo de desejo, sentimento e instinto, dotando-lhe com características espirituais. Isso é necessário porque os instintos de fome, prazer sensorial e sensual, medo, etc. são considerados instintos ligados à vida «mundana». É necessário mudar o foco, a perspectiva.

No Tantra, o confronto direto com os instintos que inibem o crescimento de nossa personalidade ou que restringem nossas expressões é necessário. O desejo seja na forma de prazer sensual, sexual, sensorial etc. é uma força muito poderosa que pode expandir a nossa percepção ou limitá-la. O objetivo é atingir a realização final do que está por trás dessas forças, instintos e impulsos. O que eles são? De onde eles estão vindo? Em que direção eles estão indo? Como podemos sublimar a energia que está contida em um instinto, no desejo ou na ambição?

O Tantra prescreve certas práticas espirituais para isso. Uma deles, por exemplo, exige que o sādhaka vá ao cemitério meditar. Agora, quem vai para o cemitério e tenta meditar certamente irá ter insuficiência cardíaca se sua psique começar a se manifestar. Por manifestação psíquica quero dizer as experiências internas na forma de instintos e impulsos que começam vir à tona e geralmente a experiência é visual. A pessoa pode ver algo que não está lá, que não existe. Ela pode ver um fantasma, um espírito, uma divindade, um demônio etc., qualquer coisa. É uma projeção de sua própria consciência e o sādhanā tântrico atua como um catalisador para projetar a consciência e experimentá-la em toda a sua variedade.

Se somos capazes de mudar nossas atitudes, nossas percepções cotidianas e nossa ideia acerca de nós mesmos, então certo tipo de purificação ou transformação ocorrerá em nosso interior. Vamos além da experiência do instinto, impulsos, saṃskāras e karmas da vida. Diferentes tipos de personalidade foram definidas no yoga, na psicologia moderna e no Tantra. O yoga definiu a personalidade de acordo com os três guṇas: sattva, rajas e tamas, enquanto que a psicologia moderna tem classificado em termos de dinâmica, emocional, intelectual e psíquica.

O Tantra classifica personalidade como paśu, vīra e divya. Paśu significa «boi» e representa a personalidade animalesca. Vīra significa «herói» e representa a personalidade guerreira que superou seu aspecto animalesco. Divya significa «divino» e refere-se à personalidade sutilizada, espiritualizada, além das necessidades mundanas. De acordo com o sistema tântrico estas três personalidades contêm os aspectos de sattva, rajas e tamas. Mesmo uma pessoa de personalidade animalesca possui características sattva, rajas e tamas. As pessoas de personalidade mais refinada terão características de rajas e tamas em intensidade distinta. Esta é uma classificação ampla que representa a estrutura básica de nossa personalidade. Nesse caminho, a transmutação da personalidade animalesca para a personalidade heróica e posteriormente a personalidade mais refinada ocorre através do sādhanā tântrico.

O sādhanā tântrico é muito difícil de ser compreendido, principalmente pelo ocidental, pois sua execução tornou-se associada a práticas que envolvem certo tipo de satisfação sensual. No entanto, se estudarmos as diferentes tradições do Tantra descobrimos que seus princípios são baseados no Sāṃkhya: o despertar dos cakras e da kuṇḍalinī através da prática de prāṇāyāma e mantras, a concentração em yantras, maṇḍalas e outros tipos de meditação.

O Tantra considera que o feminino seja um aspecto superior na criação. Nesse caminho, quem promove a iniciação é a mulher: a esposa pode iniciar o marido, a mãe pode iniciar o filho ou a filha pode iniciar o pai.

O Tantra tem sido associado a outras filosofias como o Budismo: vajrayāna, mahayāna, tantrayāna e mantrayāna. Escolas cujas práticas são essencialmente meditativas e analíticas, portanto, apresentam as principais características do jñāna-yoga, a auto-análise e o auto-conhecimento: «quem sou eu?», «onde estou?», «eu sou o que percebo ser ou sou algo a mais?» Essas escolas executam certas práticas como o vipassanā. Vipassanā é apenas uma técnica, existem outras que não são conhecidas pelo público em geral e que só são ensinadas no momento da iniciação. O propósito dessas práticas é diminuir as atividades da mente.

O Tantra de «direita» emprega técnicas do yoga: yama, niyama, āsana, prāṇāyāma, pratyāhāra, dhāraṇā e dhyāna. O yoga é uma compilação de técnicas do Tantra e do Sāṃkhya. A ênfase está no trabalho do corpo sutil, os cakras e a kuṇḍalinī. O que hoje entendemos por kuṇḍalinī e kriyā-yoga é uma síntese do yoga conforme praticado no Tantra.

O Tantra de «esquerda» aceita os cinco princípios da vida: o pañca-makāra. Estes cinco princípios são: matsya «peixe», madya «vinho», maithuna «sexo orientado», māṃsa «carne» e mudrā «grão», mas eles têm de ser entendidos a partir do ponto de vista espiritual. Se por beber vinho alguém fosse capaz de alcançar a auto-realização, cada bêbado no mundo seria auto-realizado; se pela ingestão de carne alguém fosse capaz de alcançar a auto-realização, a maioria das pessoas no mundo seriam auto-realizadas; se o coito sexual fosse a única maneira de se auto-realizar, como dizem alguns, então todas as pessoas no mundo seriam auto-realizadas, incluindo o animais. No entanto, este não é o caso.

Portanto, esses princípios não devem ser tomados a partir de sua interpretação literal, mas a partir de seu aspecto simbólico. O corpo desenvolve seu próprio vinho. É o néctar secretado pelo bindu-cakra e através de práticas como a khecarī-mudrā, os bandhas e outras mudrās podemos aprender a transmutar esse néctar. Este é o conceito de vinho.

O conceito de peixe se relaciona ao conceito do prāṇāyāma. O Tantra diz que apenas dois peixes têm de ser domados. Quem são esses dois peixes? A respiração e o prāṇa nos canais iḍā e piṅgalā. O controle da respiração e do prāṇa é considerado uma refeição cujo prato principal é peixe.

Assim, coisas diferentes foram explicadas no Tantra. Os aspectos práticos reais, como a relação sexual, o consumo de vinho ou de carne na nossa ignorância, dizemos que fazem parte do Tantra, pois não somos capazes de compreender o significado exotérico. Se, no entanto, olhamos sobre o ponto de vista espiritual, concluímos que o processo vāmācāra é completamente meditativo.

Então, Tantra, no meu entender, não é senão uma experiência direta das realidades da vida. É preciso tentar, inicialmente, analisar e compreender a tradição de que estes sistemas de pensamento vieram e o que eles estão tentando nos dizer, depois comparar isso com as condições e situações modernas: «será que é realmente válido?» «meu entendimento está correto?» «o entendimento do autor está correto e é verdadeiro?» Por um lado nós estamos dizendo que a fim de evoluir espiritualmente precisamos ter controle da mente, o que levará a alguma transformação e transmutação das tendências básicas ou vṛttis. Por outro lado, estamos dizendo que consumir vinho é ótimo; sendo ele tamásico, tudo bem, o bom mesmo é nos tornarmos pessoas tamásicas etc.

O Tantra enfatiza a consciência experiencial e não uma disciplina imposta, rígida e idealista. Outros sistemas de pensamento enfatizam uma disciplina assim com a esperança de que, se as suas convicções são fortes, então no decorrer do tempo você será capaz de transcender os vṛttis da vida. Se o saṅkalpa-śakti «o poder da resolução», o iccha-śakti «a força de vontade» e o kriyā-śakti «o poder da ação» são fortes, então as coisas podem ser modificadas. O desejo pode estar lá, mas se essas forças não são fortes e poderosos, então essa necessidade torna-se simplesmente um desejo, como tudo na vida.